Home - Opinião - “SOS” desde a Cordinha. Para uma mais eficaz Prevenção de Incêndios Rurais. Autor: João Dinis, Jano

“SOS” desde a Cordinha. Para uma mais eficaz Prevenção de Incêndios Rurais. Autor: João Dinis, Jano

Estamos a entrar no Verão. Regressámos assim ao período mais propício aos incêndios florestais que, na nossa Região, são de facto mais rurais que florestais, sobretudo desde o Fogo Grande de Outubro de 2017 em que a nossa Floresta ardeu… e ainda não temos outra…

Diz o saber comum mas “de experiências feito” que a prevenção dos incêndios deve ser feita… no Inverno. Pois voltamos a afirmar que tal não tem acontecido pelo menos que se veja “claramente visto” aqui na Cordinha. Daí, este nosso renovado “SOS” a apelar para quem de direito com o objectivo de ainda se tomar algumas medidas realmente preventivas do flagelo que receamos nos venha afligir e prejudicar mais uma vez.

Porém, Câmara Municipal e ICNF, Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, já não vão a tempo, sequer, de lançar em candidatura, para executarem brevemente, um daqueles projectos, altamente financiados pela União Europeia, projecto tipo “rede primária de faixas de gestão de combustível” que prevê limpezas dos caminhos rurais e de faixas com matagais, em áreas superiores a 500 hectares como juntariam, se quisessem, aqui na Cordinha.

E também nem tão pouco respondem positivamente às nossas propostas, enquanto Junta de Freguesia de Vila Franca da Beira, no que toca a projectos tipo os de “Condomínio de Aldeia” apesar de já se ter realizado um ou outro na zona da Cordinha. Aliás, nem sequer assumem avançar – e para quando? – com um projecto, daqueles mais simples mas úteis do tipo “Aldeia Segura Pessoas Seguras”. De nossa parte, estamos a insistir nisto há mais de meio ano… Mas que também se não diga que não houve quem alertasse – e a tempo – para as necessidades atrás descritas no domínio da prevenção de incêndios!…

Sim, acontece que temos vindo a reclamar desses projectos, desde há já muito tempo! Só que, até agora e lamentavelmente, ainda não desceram as “línguas de fogo”, a iluminar com outra sabedoria prática, as cabeças de muitos dos responsáveis por este tipo de prevenção de incêndios. Para já, só nos resta esperar que outras “línguas de fogo-fogo” não venham, neste Verão/Outono, dar-nos cabo do sossego, do património e do ambiente que nos restam!

E por isso aqui lançamos mais este “SOS”…

A “Indústria do Fogo” alimenta-se de fogo…
…e também “queima” nos Orçamentos Públicos!!

Objectivamente, existe uma grande e complexa “Indústria” que, a pretexto do combate aos incêndios florestais/rurais, tem absorvido centenas de milhões de euros, com destaque para os meios aéreos – aviões, helicópteros e, já agora, ainda faltam os tais “drones” – de combate aos Fogos. Atenção que não estamos a dizer que não seja necessário termos desses meios aéreos bons e operativos. Porém, não se pode é dar-lhes toda a prioridade, inclusive a nível de gastos orçamentais, ano após ano. Como aliás volta a acontecer.

Ou, então e ao mesmo tempo que, por exemplo, se reforce – e bastante – a capacidade operativa do ICNF, com mais recursos humanos e maiores orçamentos, para projectar e executar as principais acções de prevenção de fogos rurais, e sempre em estreita colaboração com os Proprietários e com as Autarquias Locais.

E também só não acontece assim, com redefinição de prioridades, porque há quem queira que assim não aconteça…

Falamos daquela espécie de governantes, pelo menos aparentemente mais interessados em que a tal “indústria do fogo” se propague pelos Orçamentos Públicos adentro… Assim ao estilo: – “é o negócio, estúpido, é o negócio!”… Até quando?…

Assegurar o bom estado das Bocas de Incêndio urbanas!

Desde há já algumas dezenas de anos, têm sido instaladas muitas “Bocas de Incêndio” urbanas. E assim foi também em Vila Franca da Beira.

Porém, na fatídica noite de 15 de Outubro de 2017, nas agruras do Fogo Grande, essas Bocas de Incêndio não funcionaram desde o momento em que faltou a luz pública e não houve motor eléctrico (ou a combustão) para meter pressão na rede pública. Uma tremenda falha!

Daí para cá, subsiste o problema da eventualidade de voltar a não haver pressão na rede da água para as Bocas de Incêndio caso volte a faltar a energia eléctrica durante uma crise aguda. Entretanto, e fazendo os maiores votos de que tal não volte a acontecer na rede de distribuição da água pública, como estarão muitas das actuais Bocas de Incêndio? Estarão funcionais e capazes de acudir, com água, a uma emergência relacionada com Fogo? Ou não?

Ora, isto é matéria também da Protecção Civil Municipal que tem por função e obrigação, públicas, planear, fiscalizar e assegurar essas boas condições práticas de funcionamento das Bocas de Incêndio urbanas! E também neste aspecto, já nós fizemos alertas a quem de direito…

Sim e sim! Mais vale prevenir que remediar!

Junho de 2026

 

 

Autor: João Dinis, Jano

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