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A empresa que entrou com o pedido de concessão “Vale de Gaios” é a mesma que detém e explora materiais em Sobreda. E há por lá “buracões” tais que mais parecem mini-lagoas, mas artificiais.

Tenha-se em conta as más experiências do passado. Autor. João Dinis

A concessão mineralífera (ou não) chamada de “Vale de Gaios”

Diz a sabedoria popular de (muita) experiência feita que “mais vale prevenir que remediar”…

E nós acrescentamos :- “mais vale uma imagem que mil palavras”…

Recorremos a tais ditos a propósito do processo que corre em torno do pedido de concessão mineralífera – dizem-nos que para “prospeção e pesquisa” e depois, se aprovada esta fase, para por lá vir a extrair quartzo e feldspato – concessão essa a que deram a designação de “Vale de Gaios” assim como se fosse por uma espécie de cínica ironia…

Aliás, este alegado “pedido de atribuição de direitos de prospeção e pesquisa de depósitos minerais para a área designada de Vale de Gaios” está em “consulta pública” através da NET, no “site” (endereço eletrónico) da Direção Geral de Energia e Geologia e com o prazo limite de até 11 de Novembro próximo.  Portanto, vamos também a isso para contestar o processo…

É sabido que a área total a concessionar – para já para “prospeção e pesquisa” – atinge 52 km2, o equivalente a 11% da área total do concelho de Tábua o que dá uma boa “fatia” do território municipal. Um dos lados da concessão corre juntinho ao Rio Mondego (Póvoa de Midões) e pelo meio dela passam alguns riachos e linhas de água, como o Rio de Cavalos, este um riozinho muito caprichoso que atravessa a sensível povoação Vale de Gaios (entre outras), até desaguar no Mondego.

Entretanto, sobre o assunto, desenvolve-se já um “debate” renhido entre Autarcas do município de Tábua. Anunciam-se também movimentos de Cidadãs e Cidadãos a posicionarem-se “contra” este pedido de concessão e, mesmo, a anunciarem uma manifestação – 21 de Outubro (à tarde) – precisamente em Vale de Gaios já que foi com este nome que os promotores “batizaram” o pedido de concessão…   Também correm duas “Petições” (“online” para já) a requererem o “chumbo” do pedido de concessão e já nesta fase ainda que “preparatória” da futura extração, digamos assim. Ou seja, há debate e movimentações no terreno. É democrático embora, em nossa opinião, importe manter a luta despartidarizada para melhor garantir o consenso e a unidade em prol da causa mais comum.

Tenha-se muito em conta, as (más…) experiências do tipo e por aqui bem perto: em Sobreda – Seixo da Beira, no concelho de Oliveira do Hospital…

Minas de Urânio, em Ázere após o “Plano de requalificação”.
Continuam visíveis os danos em solos agora vedados e com as mimosas a crescer. Ao fundo, em primeiro plano, um “buracão” cheio de água, juntinho ao Mondego (Albufeira da Aguieira.

Sim, mais do que as “mil palavras” que algumas entidades, de entre as quais a Câmara Municipal de Tábua, a Direção Geral de Energia e Geologia mais a empresa promotora, possam agora produzir, importa tomar como muito esclarecedora a (má) experiência com este tipo de minas a céu aberto que, há décadas, decorre em Sobreda – Seixo da Beira, no concelho de Oliveira do Hospital, a menos de 20 km da área deste pedido de concessão “Vale de Gaios” .

Enfim, aí, em Sobreda, a exploração da mina assentou – “teoricamente” – na retirada de Cassiterite (estanho) e Volfrâmio. E ano após ano, são abertos enormes buracos nos solos a retirar as terras para as lavar com água bombeada “à pressão” a fim de obter os tais minerais. Porém, depois de lavada a terra, sai muita areia e areão mais o chamado “burgau” que é um tipo de pedra arredondada pela erosão. Ora, estes materiais são utilizados na construção civil e noutras indústrias bem como no arranjo de caminhos e estradões…ou seja, têm bom valor comercial…e é esse valor comercial dos “inertes” do tipo que muito interessa às empresas de exploração…

O resultado mais visível são os enormes buracos que não mais são tapados para a regularização dos solos e das linhas de água o que, inclusivamente, atenta conta a lei mas acontece sem que a lei mostre o quanto se rala com isso. Em última análise, “o crime parece compensar”…

Ora, a empresa que entrou com o pedido de concessão “Vale de Gaios” é a mesma que detém e explora materiais em Sobreda. E há por lá “buracões” tais que mais parecem mini-lagoas mas artificiais. Ora, se essa empresa faz isso em Sobreda, também o poderá vir a fazer na concessão “Vale de Gaios” caso obtenha autorização para extração e caso a fiscalização simplesmente não funcione depois como se exige. Eis porque se repete:- “mais vale prevenir que remediar”…impedindo a atribuição desta concessão!

Então não nos serve para nada o (mau) exemplo das minas “Mondego Sul”, ali em Ázere?!

E será que a maioria no Executivo da Câmara Municipal de Tábua já se esqueceu do malfadado processo com as minas “Mondego Sul” em Ázere / Covelo onde, durante alguns anos, foi explorado Urânio (radioativo…) e a “céu aberto” ainda por cima na área de proteção da albufeira da Aguieira?!

Será que já se “esqueceram” que em 2017, ainda a Câmara de Tábua, à época, reclamava – e justamente – um “plano de requalificação ambiental” para a zona o que veio a ser consagrado através de uma dotação via Orçamento do Estado e verbas comunitárias que andou por 5, 4 milhões de Euros públicos! E, entretanto, ainda hoje continuam bem visíveis estragos e “chagas” nos solos (nas “escombreiras” apesar de retocadas da mina) e num “buracão” com água, lá no fundo, juntinho ao Mondego…

“Só” perante este (mau) exemplo, as maiorias na Câmara Municipal e na Assembleia Municipal de Tábua deviam “prevenir” novas situações do tipo, deixando-se da “conversa da treta” com que querem entreter o Povo…a (des)propósito do pedido de concessão “Vale de Gaios”…

Acresce ainda uma possibilidade muito ingrata. É que foi o erário público a pagar o “plano de requalificação” das minas de Urânio, em Ázere, que eram geridas por uma empresa de base pública. Mas esta empresa da concessão “Vale de Gaios” é uma empresa privada que nunca pagará um qualquer “plano de requalificação” minimamente eficaz. E o “resto” são tretas…

Por último e sem querer alarmar, mas toda esta nossa região tem altos índices de radioatividade “natural”.  Sabe-se muito bem disso. De facto, andamos em cima   de um autêntico “pilhão radioactivo”.    Deixem-no, pois, continuar bem enterrado!…

Não e não a mais “buracões” à nossa beira!

Em defesa na qualidade de vida das Populações e em defesa do ambiente e dos recursos naturais, como a Água!

 

 

 

 

Autor: João Dinis, Jano

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