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Tondela prepara plano de recuperação após incêndio que destruiu 1500 hectares em S. João do Monte e Mosteirinho

O Município de Tondela está a preparar um plano de intervenção para mitigar os efeitos provocados pelo incêndio que, no início de julho, afectou a União de Freguesias de S. João do Monte e Mosteirinho, com uma área ardida estimada em cerca de 1500 hectares e prejuízos calculados em 7,5 milhões de euros.

A autarquia iniciou já o trabalho com o investigador e professor universitário especialista em recuperação de paisagem Carlos Fonseca, a quem foi solicitada a elaboração de um conjunto de medidas para avaliar os impactos do fogo e definir estratégias de recuperação do território.

O docente universitário, que integrou a Comissão Técnica Independente dos incêndios de 2017 e foi director do Laboratório Colaborativo para a Gestão Integrada da Floresta e do Fogo, reuniu com o executivo municipal e visitou, no início desta semana, as áreas afectadas pelo incêndio.

“O que está estabelecido e que lhe foi solicitado é a apresentação de um conjunto de medidas de avaliação dos impactos numa primeira linha e depois a apresentação de um conjunto de medidas para mitigarmos os efeitos e impactos do incêndio”, explicou a presidente da Câmara Municipal de Tondela, Carla Antunes Borges, na reunião pública do executivo realizada na terça-feira.

A autarca destacou os impactos do incêndio na qualidade da água e alertou para as consequências que poderá ter na erosão das encostas, defendendo a necessidade de uma intervenção planeada para a recuperação da zona afectada.

Além do plano de acção para o pós-fogo na União de Freguesias de S. João do Monte e Mosteirinho, Carlos Fonseca foi também desafiado a desenvolver um estudo e uma proposta de intervenção para as faixas de contenção junto às zonas industriais do Lajedo e da Adiça.

A proposta passa pela criação de áreas de protecção com recurso a povoamentos autóctones mais resistentes ao fogo, capazes de reforçar a resiliência da paisagem e contribuir para a valorização ecológica do território.

“A ideia é potenciar a instalação de um povoamento autóctone que seja resiliente e que seja mitigador, criando uma faixa e uma coroa de protecção às áreas de acolhimento empresarial. Além da gestão de combustível obrigatório queremos também ter uma participação na valorização ecológica do ecossistema do território”, justificou Carla Antunes Borges.

A presidente da Câmara garantiu que o executivo municipal não “baixou os braços” depois da passagem do incêndio que atingiu a União de Freguesias de S. João do Monte e Mosteirinho, proveniente do concelho vizinho de Vouzela, deixando uma área ardida de dimensão considerada muito significativa.

Logo após o fogo, as equipas municipais iniciaram trabalhos de levantamento dos prejuízos e identificação das principais necessidades, nomeadamente a protecção de taludes, limpeza de linhas de água, controlo da vegetação que irá surgir e remoção de árvores queimadas.

Uma das primeiras preocupações esteve relacionada com a rede de abastecimento de água, tendo sido distribuídos garrafões à população das aldeias que ficaram sem fornecimento.

Em parceria com a Associação de Municípios da Região do Planalto Beirão e com a empresa Águas do Planalto, o município iniciou entretanto trabalhos de recuperação das tubagens danificadas e das captações, permitindo repor as condições de abastecimento.

Segundo Carla Antunes Borges, foi reposto um troço significativo da conduta entre a captação e o depósito do Caselho, tendo sido igualmente realizada uma intervenção de contenção do talude e limpeza da captação.

A autarquia apoiou ainda a União de Freguesias de S. João do Monte e Mosteirinho na reposição de vários troços da rede de fontanários, considerada essencial para o combate ao incêndio e para a rega das propriedades agrícolas.

A presidente da Câmara revelou também que solicitou audiências aos ministros da Agricultura e do Ambiente, bem como a responsáveis da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, Agência Portuguesa do Ambiente e Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, com o objectivo de preparar novas intervenções e avaliar os apoios que poderão ser disponibilizados pelo Estado.

O Município de Tondela defende que eventuais apoios sejam atribuídos através do Fundo Ambiental, tendo em conta os impactos ambientais e territoriais provocados pelo incêndio.

Pelas zonas afectadas passaram já o comandante da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil e deputados do PSD eleitos pelo círculo eleitoral de Viseu.

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