A Câmara Municipal de Arganil iniciou o processo de classificação da Torre da Paz como monumento de interesse municipal, estrutura cujo sino tocou pela primeira vez no dia 7 de Maio de 1945, assinalando o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa. A decisão foi formalizada ontem com a publicação em Diário da República, numa iniciativa que visa salvaguardar o valor patrimonial da torre de xisto e da sua envolvente. O presidente da Câmara, Luís Paulo Costa, sublinhou, em declarações à Lusa, o carácter simbólico do monumento, considerando tratar-se de “uma torre muito simbólica não apenas para a História de Benfeita mas para o concelho de Arganil”, acrescentando que o edifício “assinalou o armistício na Europa e é um marco com uma envolvente interessante”.
Inicialmente designada Torre de Salazar, a estrutura adoptou o nome de Torre da Paz após o 25 de Abril. O sino tocou pela primeira vez no dia da rendição das forças alemãs às tropas soviéticas, marcando o fim do conflito na Europa. A inscrição existente no sino recorda esse momento histórico.
Para o autarca, o início do processo de classificação ganha particular significado num contexto internacional marcado por instabilidade. Luís Paulo Costa defendeu que a torre funciona também como memória do que foi conquistado, alertando que a paz “não fica assegurada eternamente”.
A história da torre remonta à família Mathias, natural da Benfeita, com destaque para Mário Mathias, advogado que regressou à terra natal após carreira em Lisboa, e para o seu irmão Leonardo Mathias, diplomata ligado à vinda de Galouste Gulbenkian para Portugal e antigo ministro dos Negócios Estrangeiros.
O presidente da Junta de Freguesia, José Gonçalves Pinheiro, destacou a continuidade da tradição associada ao sino, que todos os anos, a 7 de Maio, executa 1.620 badaladas, ao longo de cerca de três horas. “A própria máquina encarrega-se de fazer o serviço, mas a corda é manual, temos de dar corda três vezes para completar as badaladas”, explicou à Lusa.
Apesar de a contagem ser frequentemente associada à duração da Segunda Guerra Mundial, o número é superior ao total de dias do conflito. Luís Paulo Costa admite que possa antes corresponder ao período de envolvimento de Portugal na Primeira Guerra Mundial.
Para a população local, a data mantém-se como um momento simbólico. José Gonçalves Pinheiro expressou o desejo de que o dia volte a ser celebrado em contexto de paz, referindo a expectativa de que conflitos actuais encontrem solução até à próxima evocação.
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