A palavra património deriva do latim patrimonium, expressão que significa “os bens do pai”. Atualmente, o conceito designa o conjunto de bens materiais e imateriais herdados dos nossos antepassados, cuja preservação constitui um dever coletivo para com as gerações futuras.
Com esse propósito, a UNESCO aprovou, em 1972, a Convenção para a Proteção do Património Mundial, Cultural e Natural, responsabilizando os países pela identificação, proteção e conservação do seu património histórico, cultural e paisagístico.
O património divide-se em duas grandes categorias: natural e cultural. No património natural incluem-se paisagens e espaços de elevado valor ambiental, como o Parque Natural da Serra da Estrela, um dos maiores símbolos da riqueza natural portuguesa.
Já o património cultural material abrange bens móveis e imóveis. Nesta última categoria inserem-se monumentos, sítios arqueológicos, lugares históricos e obras arquitetónicas ou de engenharia que testemunham a memória coletiva das populações e a identidade dos territórios.
A ligação das pessoas à terra onde nasceram e cresceram é profunda. As origens moldam identidades, memórias e sentimentos de pertença. Não é por acaso que perguntas como “De onde és?” ou “Onde nasceste?” continuam a definir, em grande medida, quem somos.
Contudo, o desenvolvimento nem sempre avança em harmonia com a paisagem e o património. Em várias localidades do concelho de Oliveira do Hospital multiplicam-se estruturas publicitárias, postes e equipamentos associados às empresas de telecomunicações, frequentemente instalados sem critérios de integração estética, urbanística ou ambiental.
Os postes, cabos e emaranhados de fios que atravessam aldeias e vilas representam um crescente atentado visual à paisagem. Além de degradarem o espaço público, contribuem para a desvalorização do património local e da identidade das comunidades.
A situação torna-se particularmente evidente em Lagares da Beira. Apesar das recentes obras de requalificação do Largo da Junta de Freguesia — antigo Largo da Feira dos Porcos — que incluíram intervenções ao nível do saneamento, abastecimento de água e renovação do pavimento, não foi aproveitada a oportunidade para proceder ao enterramento das redes elétrica e de telecomunicações.
Em vez disso, continuam a surgir novos postes “como cogumelos”, comprometendo a estética do espaço e anulando parte do investimento realizado na requalificação urbana.
O progresso tecnológico é indispensável e inevitável. Porém, dificilmente poderá ser considerado verdadeiro progresso quando avança à custa da degradação visual, da descaracterização das aldeias e da perda de harmonia dos espaços públicos.
Perante esta realidade, impõe-se uma questão: quem assume a responsabilidade pela defesa da paisagem e pela preservação da identidade dos nossos lugares?
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Autor: José Carlos Marques
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