Home - Opinião - Um «olhar educativo» sobre educação em Oliveira do Hospital: Bolsas de estudo meio cheias ou meio vazias? Autor: Carlos Martelo

Um «olhar educativo» sobre educação em Oliveira do Hospital: Bolsas de estudo meio cheias ou meio vazias? Autor: Carlos Martelo

É conhecido o dito do «copo meio cheio ou meio vazio», consoante o ponto de vista em que nos situamos, normalmente por uma questão de conveniência ou de opinião próprias, perante certos factos ou circunstâncias, ou, como diria o outro, «tudo é relativo».

Recentemente, a Câmara Municipal atribuiu as bolsas de estudo «do costume» a alunos «carenciados», que frequentem o ensino dito «superior» e sejam originários do concelho de Oliveira do Hospital.

Neste contexto, as tais «bolsas de estudo» asseguram financiamento para que alunos com menos rendimentos familiares (ou pessoais) possam custear pelo menos parte das despesas inerentes ao curso que pretendem «tirar». De facto, as «bolsas de estudo» têm importância para quem delas precisa.

O município de Oliveira do Hospital há muito que atribui umas dezenas de «bolsas de estudo» e faz bem.

A Câmara Municipal diz, e citamos: «as bolsas previstas pelo actual regulamento (municipal) visam apoiar a prossecução dos estudos a alunos de cariz social que, apesar de (bom) aproveitamento escolar, por falta de meios, se veem impossibilitados de o fazer». Ora aqui está a essência da intenção camarária, que aliás se apresenta (teoricamente…) bastante justa.

Todavia, para este ano lectivo, a Câmara Municipal veio congratular-se publicamente pelo facto de atribuir 58 140 euros a 26 candidaturas que aprovou. Só que a Câmara não enfrenta, como é sua obrigação cívica, ética e mesmo moral, o facto de, ao mesmo tempo, terem ficado sem bolsas outras 34 candidaturas elegíveis, outros alunos que preenchem os requisitos principais estabelecidos pela Câmara, mas não consideradas alegadamente por falta de cobertura orçamental por parte da Câmara (?!).

Portanto, a mesma Câmara propagandeia as bolsas de estudo do ponto de vista do «meio cheio» e nós contrapomos o ponto de vista do «meio vazio». Afinal, a maioria, 34 candidaturas = 56,66%, dos alunos «elegíveis» ficou de fora do acesso às bolsas de estudo atribuídas pela Câmara Municipal de Oliveira do Hospital. Ora, isto consubstancia uma enorme injustiça relativa, pois, e tendo até em conta a supra-citada essência da intenção da Câmara, haverá 34 alunos carenciados e originários do concelho que correm o risco de ter de abandonar os estudos por falta de meios (financeiros)… Quer dizer, e recorramos a outro dito, «de boas intenções está o Inferno cheio»…

Estamos em crer que a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital só tinha uma decisão a tomar para não gerar «filhos e enteados» de entre os alunos candidatos às bolsas de estudo. Decisão que era, e ainda é, a de reforçar a verba de início orçamentada para as bolsas de estudo, por forma a contemplar todos os alunos «elegíveis» e que apresentaram as suas candidaturas às bolsas, seguindo dessa forma o preceito «iustitia pretium non habet» (a justiça não tem preço). A Câmara Municipal ainda está a tempo de ser mais justa!

EPTOLIVA não forma «doutores» mas pode ficar sujeita a eles…

Há dias saiu a notícia da conjugação de algumas vontades autárquicas para que a Câmara Municipal de Coimbra venha a fazer parte da ADEPTOLIVA, Associação para o Desenvolvimento do Ensino Profissional, dos concelhos de Tábua, Oliveira do Hospital e Arganil.

Lembrar que esta ADEPTOLIVA é a «dona» da EPTOLIVA, Escola Profissional de Oliveira do Hospital, Tábua e Arganil (até agora).

Entretanto, a Presidente da Câmara Municipal de Coimbra e a maioria aí formada por PS e outras forças partidárias fizeram avançar a proposta de adesão à ADEPTOLIVA, depois de, por cá, as três Câmaras fundadoras da Associação também terem aberto essa possibilidade. Porém, uma Vereadora, agora dita «independente», da Câmara Municipal de Coimbra veio a público discordar abertamente da adesão em causa, o que, para já, fez recuar o posicionamento favorável à adesão da «chefia» partidária (PS) da Câmara Municipal de Coimbra! Ora ainda bem!

Tenha-se em conta que o Orçamento de 2026 da Câmara Municipal de Coimbra é de mais de 260 milhões de euros, quase o dobro da soma total, em 2026, dos orçamentos das Câmaras de Oliveira do Hospital, Tábua e Arganil. E, em geral, nestas matérias, quem mais tem mais manda… Quero ainda dizer que, para além e por cima do maior peso financeiro, político e institucional da Câmara Municipal de Coimbra, ainda age o preconceito social e psicológico das «elites» da cidade, muito concentradas em torno da projecção da Universidade de Coimbra. É aliás reconhecido que essas «elites» sofrem do «complexo de superioridade» intelectual e social que cá fora se diz ser a marca dos «doutores».

E, afirmo, no dia em que a Câmara Municipal de Coimbra venha a integrar a ADEPTOLIVA, logo se fará sentir um tal «complexo de superioridade»… Por isso, o título deste sub-capítulo e o alívio de, para já pelo menos, não termos a Câmara Municipal de Coimbra a pretender «mandar» na ADEPTOLIVA e na EPTOLIVA. Continuemos assim, que bem ficamos!

 

 

 

Autor: Carlos Martelo

 

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