Agricultores protestam em Coimbra: “Somos vítimas não somos culpados”

“Somos vítimas não somos culpados”. Eis o lema de cerca de uma centena e meia de agricultores afectados pelos incêndios de 15 de Outubro que hoje, debaixo de chuva, protestou junto à delegação da Direcção Regional de Agricultura e Pescas (DRAP) do Centro, em Coimbra. Na iniciativa, que contou com agricultores de Oliveira do Hospital e Tábua, os participantes exigiram mais apoios, a reabertura das candidaturas aos apoios governamentais, ao mesmo tempo que criticavam a falta de tempo e de dinheiro para pagar os trabalhos de limpeza que a lei exige.

Além do slogan “Somos vítimas não somos culpados”, surgiram também cartazes onde se podia ler “Agricultura nada” e “Cinco meses depois, nada”. Os agricultores fizeram ainda questão de colocar algumas alfaias agrícolas calcinadas junto à delegação da DRAP do Centro.

A ADACO estima que mais de três mil agricultores afectados pelos incêndios de Outubro de 2017 não realizaram candidatura aos apoios do Governo. “E o senhor ministro [da Agricultura, Capoulas Santos] está a mostrar-se irredutível em reabrir as candidaturas”, denunciou o dirigente da ADACO, Isménio Oliveira, referindo que “provavelmente haverá mais” agricultores afectados pelos incêndios de Outubro de 2017 que não fizeram a candidatura, face ao prazo “curto” em que o aviso esteve aberto. “Entendemos que o ministro tem de perder esta teimosia”, frisou o dirigente, sublinhando que houve agricultores que estiveram no hospital, face a queimaduras, e que só tiveram alta “em Janeiro ou Fevereiro”. “Com que cara é que o ministro vai dizer a essas pessoas que não podem receber apoio?”, questionou, sublinhando que há dinheiro para solucionar o problema, falta é “vontade do ministro”.

O protesto dos agricultores afectados pelos incêndios também abordou a limpeza das florestas, com os produtores a criticarem a falta de tempo e de dinheiro, seja para pagar os trabalhos de limpeza, seja para pagar coimas. Isménio Oliveira afirmou que a ADACO vai agora expor a situação à comissão parlamentar da Agricultura e Mar.

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