Alma portuguesa rumo à Ucrânia…

Diário da Caravana Humanitária Portuguesa à Ucrânia

Dia 1

Caravana leva mantimentos, roupa e medicamentos. Na volta têm lugar para 122 refugiados. As primeiras de muitas vidas que querem salvar.

Atravessaram meia Europa de noite os cinquenta voluntários que formam a “Caravana Humanitária Portuguesa”, como por agora decidem nomear este movimento. Caem entre momentos de profundo silêncio e euforia na espectativa sobre o que vão encontrar nas fronteiras da Polónia e Roménia com a Ucrânia. E procuram patrocínio para combustível pelo caminho.

O cansaço tem sido afastado com chocolate, café e debates “onde realmente será mais necessária a ajuda, essa é a grande dúvida, se já estará gente a mais a ajudar na Polónia e a menos na Roménia, com os ucranianos em fuga a mudarem as suas rotas para evitar as filas monstruosas de acesso à Polónia”, diz Ricardo Castanheira, enfermeiro de 39 anos da caravana que viaja na companhia de Vasyl Kovpak de 30 anos. Nascido na Ucrânia, o controlador de tráfego aéreo e ex-militar da Força Aérea Portuguesa vive com a família em Portugal desde 2002, no destino será um intérprete valioso perante a incerteza de tudo o que a caravana tem pela frente. Pelo menos esta primeira, porque já está a ser organizada outra com partida de Portugal a 8 de Março, maioritariamente constituída por profissionais de saúde que avançam para as fronteiras de forma totalmente voluntária, tal como estes primeiros. “Esta, muito provavelmente, será a primeira de muitas voltas da “Caravana Humanitária Portuguesa””, comenta a dupla.

Os dois amigos unidos pelo voluntariado recebem o Diário de Notícias a bordo da carrinha de nove lugares, na qual planeiam trazer seis ucranianos refugiados de um país que Vasyl diz estar “na última década cada vez mais defensor da sua identidade e cultura com tributo até a heróis nacionais e não só globais da antiga URSS”. Um sentimento que segundo amigos e familiares “têm-se reforçado desde que o conflito armado começou”.

Dias que deixam Vasyl “de coração nas mãos” cada vez que abre uma notícia para ler no caminho rumo à Ucrânia.

Antes do amanhecer, pelas 5h00, a caravana dividiu-se em dois grupos. Onze viaturas rumam agora à fronteira da Polónia com a Ucrânia, com passagem por Paris, seguindo pelo Luxemburgo e Alemanha até Varsóvia e no fim Lublin. As restantes oito viaturas seguem para a fronteira romena, com passagem por Bucareste antes da fronteira.

Ana Martins Ventura

 

*O CBS acompanha diariamente, com a colaboração da jornalista Ana Martins Ventura, a viagem da Caravana Humanitária Portuguesa à Ucrânia

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