Esta palavra deriva do grego antigo, que significa “ abismo”, “vazio” ou” imensidão do espaço”, de onde se pode concluir que desde os primórdios sempre existiu o caos.
Não vou aprofundar mais as origens, pois teria que falar da mitologia grega e muito sinceramente, já me vejo grego para viver no meio do caos contemporâneo, das irmandades e das seitas que têm dividido o mundo, alimentando constantes conflitos.
C( capacidade)A ( antiga) O (originar) S ( sarilhos).
O maior problema originado pelos constantes ciclos de CAOS que a humanidade tem vivido, está na razão directa do mexilhão agarrado às rochas.
As guerras, as pandemias, as revoluções, as catástrofes, a escravidão, o racismo e a xenofobia, são os denominadores comuns onde uns enriquecem à sua sombra e a maioria empobrece devido às consequências das mesmas.
O mais triste dito tudo é que são os desfavorecidos que cavam a sua própria sepultura, quando vão colocar o voto na “urna”.
Vou recuar até 2017 para falar de um episódio, que continua bem activo e a aquecer.
Uma família, que sobreviveu ao inferno das chamas, acolheu um homem que as chamas pouparam, depois de lhe terem ardido todos os seus bens.
Vestido com a roupa que tinha no corpo, foi alimentado, aquecido e acarinhado pela família, que sem pedir nada em troca, lhe mostrou o caminho da solidariedade.
Os dias iam passando, lentamente, onde o tempo era usado para pensar na desgraça e não na reconstrução da sua vida.
Ao fim de poucos dias, o homem veio pedir ajuda para um amigo que estava na mesma situação do que ele e a família, altruísta, não hesitaram em ajudar mais uma vítima.
Ao final de um mês, as vitimas já eram seis, mais do que a família de acolhimento, contudo a actividade “produtiva” era praticamente nula.
No dia-a-dia, os pedidos para isto ou para aquilo iam subindo de valores, passando pelo meio algumas exigências, o que começava a limitar os rendimentos da família de acolhimento e onde a paciência também começava a escassear.
Passado cerca de dois meses, já os “hóspedes” faziam, amiudadas vezes, convívios com outros desalojados, no espaço da família de acolhimento.
O chefe da família tentou chamar à razão os referidos protegidos, alertando-os para a necessidade de procurarem rumo à suas vidas, pois a situação começava a ficar insustentável.
Qual não foi o seu espanto, ao receber como resposta, que tinham que aguentar, pois tinham sido convidados a instalarem-se na sua casa e que enquanto se mantivesse o impasse, teriam que conviver com eles.
A família recorreu a uma instituição a fim de encontrarem uma solução para esta situação, que tinha passado de humanitária, para desastrosa.
As respostas que receberam não foram nada animadoras, nem concretas, nem conclusivas.
A atmosfera no seio da família deteriorou-se, a convivência azedou e as constantes ameaças veladas começaram a ser rotineiras, chegando quase a vias de facto.
Um ano passou, até que um dia o milagre aconteceu; uma habitação S.O.S apareceu quase como que por magia, vislumbrando-se uma luz ao fundo do túnel.
A mudança aconteceu, sem que pelo meio tivessem surgido apoios reais para a família e da parte dos “inquilinos” nem uma palavra de agradecimento, antes pelo contrário.
Usaram e abusaram dos meios físicos da habitação, comeram comida que nunca pagaram, nem ao menos com trabalho.
Usufruíram de um espaço, onde as necessidades básicas foram asseguradas e no final de tudo, a palavra que temos que ir buscar ao dicionário é, ingratidão.
No meio de toda a situação, a família conseguiu evitar ser “partilhada” com os coitados.
A solidariedade tem limites, bem como a liberdade, que termina onde começa a dos outros.
A sociedade tem que criar mecanismos para evitar estas situações a bem da saúde institucional e não encolher os ombros e assobiar para o lado.
Há leis e normas num país de direito, tendo estas que ser cumpridas, doa a quem doer, porque o passo seguinte é o caos.
Neste patamar, não haverá respeito por ninguém, crianças, mulheres, homens, bem como bens materiais.
Os prevaricadores e abusadores, têm que ser chamados à razão democrática e em caso de não-aceitação, as leis e os braços da mesma, devem agir, pois foi para isso que foram criadas.
O povo não tem que sofrer e aceitar tudo o que lhe querem impor, pois tem direitos e deveres.
A sociedade só poderá ser equilibrada e justa, quando os seus membros, cumpram os seus deveres, mas muito importante, façam valer os seus direitos.
Discussões estéreis, doutrinadas ou vindas de grupos de interesse, não servem para uma sociedade humanitária, antes pelo contrário, só servem para criar o caos.
Autor: Fernando Roldão
Texto escrito pelo antigo acordo ortográfico
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