Recandidato do PSD à CM de Celorico da Beira denuncia presença de candidatos socialistas de outros concelhos a representar o Chega nas mesas de voto e critica os “políticos paraquedistas” que aterraram no concelho para concorrer às eleições autárquicas
O recandidato do PSD à presidência da Câmara Municipal de Celorico da Beira, Carlos Ascensão, aproveitou ontem a apresentação dos candidatos sociais-democratas aos vários órgãos autárquicos do concelho, nas eleições de 12 de Outubro, para lançar duras críticas ao Partido Socialista e ao Chega. Perante várias dezenas de apoiantes, o presidente da autarquia, que concorre a um novo mandato, denunciou situações em que candidatos do PS no concelho e militantes ou candidatos socialistas provenientes de outras concelhias surgem em Celorico da Beira para desempenhar funções de representação do Chega. Um cenário que o autarca classificou como “simplesmente vergonhoso”.
“Tenho dito e escrito que, sendo nós candidatos nas listas do PSD, com orgulho, esta é uma candidatura aberta, onde todos têm lugar, independentemente da filiação ou simpatia partidária. São todos bem-vindos. São as pessoas que importam e o nosso verdadeiro partido é Celorico, o nosso concelho e as nossas gentes. Não alimentamos joguinhos políticos nem promovemos alianças pré-eleitorais camufladas, como têm feito alguns actores locais do PS e do Chega”, afirmou. O presidente do PSD sublinhou que, apesar das críticas, não responsabiliza a maioria dos militantes e simpatizantes dos partidos envolvidos. “Sendo grave, este caso em nada compromete a grande maioria dos militantes e simpatizantes, que eu respeito naturalmente, mas que também têm direito a conhecer estas situações”, frisou.
“Para vos esclarecer, vou apresentar vou apresentar dois exemplos dos muitos exemplos concretos ligados à constituição das mesas de voto”, acrescentou, destacando o que aconteceu no Maçal do Chão e na Lajeosa de Mondego. No primeiro caso, António Cunha Condesso, filiado no PS em Figueira de Castelo Rodrigo e candidato à União de Freguesias do Colmeal e Vilar, assumiu funções de representante do Chega na constituição das mesas eleitorais. No segundo, Diogo Gomes, das listas do PS à junta de freguesia e à Assembleia Municipal de Celorico da Beira, foi nomeado pelo partido liderado por André Ventura como escrutinador. “Vejam a vergonha desta situação. Sei que António Cunha Condesso tem um amigo dirigente do PS aqui em Celorico, mas é inaceitável que um indivíduo filiado no PS e candidato noutra freguesia venha representar o Chega em Celorico da Beira. Estamos perante uma situação simplesmente vergonhosa”, enfatizou.
Os perfis falsos, o aeroporto Ascensão e os “paraquedistas da política”
Carlos Ascensão referiu ainda publicações nas redes sociais, com perfis falsos, que procuraram ridicularizar a obra realizada pelo PSD. Entre elas destacou a invenção do denominado “aeroporto Ascensão”. “Para os criativos que à última hora se lembraram do aeroporto Ascensão, digo que, pensando bem, até pode ser útil, sobretudo para alguns paraquedistas da política [numa alusão ao facto de os cabeças de lista do PS e do Chega não serem naturais, nem residirem no concelho] que têm feito aterragens forçadas no território. Mas, pela nossa parte, não precisamos de qualquer aeroporto. Somos todos da terra do Sacadura Cabral, que foi um ilustre aviador. Conhecemos o chão que pisamos e caminhamos com pés bem-assentes na Terra”, rematou.
O recandidato concluiu saudando os adversários políticos, frisando que não são inimigos. “Uma referência breve aos meus adversários políticos, que não são inimigos. São adversários políticos. Não querendo falar mal de ninguém, e não falar mal deve-se a duas razões. A primeira é porque essa não é a minha forma de estar na política nem na vida. A segunda é que não podemos avaliar ou julgar aquilo que não conhecemos. Honestamente, não me é lícito falar bem ou falar mal, apontar virtudes ou defeitos sobre algo ou alguém que no essencial desconheço. Pergunto, vocês conhecem os nossos adversários políticos? Conhecem? Penso que responsavelmente ninguém pode ou deve escolher o que ignora. Por isso exorto-vos a que, com os defeitos e virtudes que já nos conhecem, avancem connosco neste caminho de mais quatro anos que, eu acredito, vai ser próspero para Celorico. Aos meus oponentes, resta-me saudá-los, desejar-lhes saúde e que façam uma campanha digna. Que tenham a dignidade que tem faltado a alguns poucos intervenientes locais em tempo de pré-campanha. Mesmo que em alguns casos eu reconheça o sentido de humor, embora de gosto duvidoso”, finalizou.
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