Quando no início do século XXI se falou em criar condições no concelho de Oliveira do Hospital para acolher mais alunos no ensino superior foi dado um passo enorme. O então presidente da câmara, Mário Alves, num acto visionário, anunciou que teria de haver um espaço na cidade para criar um polo para substituir as antigas instalações dos bombeiros da cidade, local onde, ainda hoje, funciona a Escola Superior Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital (ESTGOH).
O autarca social-democrata conseguiu o terreno por 400 mil euros. Ficou, no entanto, uma cláusula, a qual referia que os proprietários apenas cediam a propriedade por aquele preço atendendo à finalidade do mesmo. Se não fossem construídas instalações destinadas ao ensino, os antigos donos poderiam pedir a reversão do negócio e exigirem uma indemnização ao município. Mário Alves perdeu as eleições em 2009, José Carlos Alexandrino subiu ao poder e o terreno ficou abandonado.
É, por isso, estranho que, em 2023, se venha falar em adquirir um edifício devoluto por cerca de um milhão de euros e anunciar obras de cerca de 3,2 milhões de euros na sua remodelação, criando 98 camas para os alunos. Além disso também se anuncia um investimento de cerca de seis milhões de euros para a reformulação da actual EB1 para receber a ESTGOH.
Porquê todo este investimento? Se pode ser feito um polo académico, com dormitórios e tudo o que de moderno existe num espaço da cidade que ficaria, certamente, muito mais barato. Porque se colocou o município a falar em gastar dez milhões de euros, quando poderia despender pouco mais de metade? Até porque o restante valor poderia por exemplo servir para criar condições para as diversas associações desportivas do concelho e da cidade, como por exemplo um pavilhão em condições e um relvado/estádio para a equipa da cidade?
Não podemos com os mesmos dez milhões fazer tudo, em vez de desperdiçar tanto, numa época exigente para todos no aspecto financeiro? Isto tem de ser explicado aos oliveirenses, porque são eles que ficam uma vez mais com o futuro hipotecado devido ao descontrolo total em investimentos desmedidos. Temos de ser claros e principalmente preparar a cidade para o futuro. Para atrair jovens e investimento em vez de desperdiçarem oportunidades.
Autor: Nuno Pereira
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