Sim, foi há seis anos – de 15 para 16 de Outubro de 2017 – o Fogo Grande, mais destruidor e “assassino” de que há memória entre nós. E que jamais aconteça algo sequer parecido!
Sim, aquela noite funesta nunca deveria ter existido como aconteceu. E já fora antecedida por outros Fogos Grandes e ainda mais “assassinos” como os de Junho nos concelhos de Pedrógão Grande e Castanheira de Pera.
Todos, atingiram a tremenda “marca” de mais de 100 vítimas mortais (13 mortos em Oliveira do Hospital) e centenas de feridos muitos dos quais com gravidade. Uma pavorosa tragédia! E queimaram cerca de 500 mil hectares de floresta e matos na Região Centro, de entre os quais praticamente toda a Floresta tradicional que tínhamos no nosso Município. E milhares de casas e habitações, e centenas de empresas. Um desastre brutal quer do ponto de vista económico quer ambiental quer social!
Cabe evocar aqui a memória das vítimas e reenviar um forte abraço às famílias enlutadas e seus amigos.
A vida continuou e continua!
Algumas notas em jeito de balanço:
– As empresas então queimadas no essencial foram recuperadas tendo em conta os apoios públicos que receberam para isso e também muito graças ao esforço próprio dos empresários e à paciente expectativa dos(as) trabalhadores(as).
– As famílias das vítimas mortais não assinalaram incumprimentos do Governo na execução do programa oficial de “compensações” então estabelecido.
– Também é de registar a muito razoável recuperação das primeiras habitações ardidas apesar de demoras ocorridas no processo. Já nas casas ditas de “segunda habitação”, o respectivo programa de recuperação foi um falhanço por ter sido mal definido desde a nascença, pelo Governo e, depois, foi ainda pior executado pelas Câmaras Municipais, do que resulta continuar a haver essas “segundas habitações” em ruínas dentro das nossas Povoações.
– Para os Agricultores, milhares deles foram excluídos do acesso, pelas complicações então criadas pelo Ministério da Agricultura, àquela ajuda estabelecida do apoio financeiro do Estado até 5 mil euros por Agricultor. Para outros Agricultores e Produtores Pecuários (sobretudo ovinos e abelhas), com estes muito afectados no Concelho, houve logo uma flagrante discriminação nos apoios públicos atribuídos para a recuperação de efectivos e explorações, apoio que foi mais reduzido em percentagens do que o apoio para o sector industrial, o que desmotivou muita Gente a candidatar-se e, isto, para além da burocracia asfixiante do processo tal como foi instituído.
–. Na Floresta ou, melhor dito, na falta dela, então a situação mantém-se ao nível de um autêntico desastre. Muito pouco foi feito na reflorestação das áreas ardidas, através de um correcto Ordenamento Florestal. O Governo anunciou e continua a anunciar “milhões e milhões” de Euros para a Floresta e para a Reflorestação. Porém, esse dinheiro público não aparece no terreno “plantado” quer dizer a Reflorestação não acontece.
– Um dos aspectos que os “burocratas” e “propagandistas” de serviço mais descuram é o envolvimento, mais interessado, dos Proprietários, das Populações, na gigantesca tarefa, que o é, de reflorestar os territórios.
E que faz e não faz a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital no pós- Fogo Grande?
Por cá, pelo Município, a Câmara Municipal tem aprovados alguns projectos ditos de “Áreas Integradas de Gestão da Paisagem, AIGP” para já na freguesia de Ervedal da Beira e na zona dos vales do Alva e do Alvôco. Cremos atingirem cerca de 4 mil hectares na totalidade quando a área ardida em 2017 foi superior aos 20 mil. E uma questão há a que a Câmara, ainda que instada, não responde com clareza: – afinal por que especial razão foram escolhidas as áreas envolvidas e não outras áreas mais ou diferentes? É que, e diga a Câmara o que disser, foi ela a promotora de quatro ou cinco desses projectos de “AIGP”, portanto teve a hipótese prática de escolher e propor a localização das respectivas áreas… Aliás, por exemplo, este Vosso amigo tem umas parcelazitas rústicas a meter numa candidatura do tipo e embora estejam a uns 500 metros de uma área enquadrada num desses projectos, não foram incluídas nele, o que se contesta.
Subsiste agora outra questão prática muito importante e que é a da implantação dos projectos “AIGP” no terreno, tarefa para a qual a Câmara Municipal deve ter a maior atenção para evitar eventuais “falcatruas” no processo, uma possibilidade real que, na circunstância, a Câmara deve prevenir também porque, a acontecer, vai recair sobre ela a responsabilidade da má utilização do dinheiro público a gastar…
E onde está, em Oliveira do Hospital, o “Memorial às Vítimas” do Fogo Grande?
Lembre-se que foi logo uma das “promessas” saídas da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital e ainda na fase do “rescaldo social” ao Fogo Grande… A Câmara até abriu uma conta bancária solidária alegadamente também com essa finalidade. Só que, até agora, nada, (?!) seis anos passados sobre a tragédia! Que se passa, pois, em relação ao “Memorial às Vítimas” do Fogo Grande em Oliveira do Hospital?
Depois de ter anunciado e re-anunciado esse “Memorial”, a falta de cumprimento da “promessa” por parte da Câmara é uma falha imperdoável, que atinge a efectiva falta de respeito por uma tamanha e tão emotiva “memória”! Que (lhes) dizer mais?…
Em Oliveira do Hospital, faça-se o “Memorial às Vítimas” do Fogo Grande de 2017!
15 de Outubro de 2023
Autor: João Dinis, Jano
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