A organização do Rali de Portugal foi multada em 15 mil euros pelo Colégio de Comissários da FIA, depois da entrada indevida de dois veículos na especial de Arganil 2, na sexta-feira à tarde. A sanção fica, no entanto, suspensa até 31 de Dezembro de 2027, desde que não ocorra até essa data nova infracção do Código Desportivo Internacional da FIA.
Os incidentes levaram à interrupção da segunda passagem pela especial de Arganil. Primeiro, um reboque entrou no troço e foi alcançado por Elfyn Evans em plena competição. Cerca de 35 minutos depois, um veículo ligeiro da mesma empresa também entrou na especial e seguia à frente de Yohan Rossel, situação que obrigou à interrupção imediata do troço com bandeira vermelha.
“Os Comissários consideram que a falta de comunicação da entrada dos veículos na especial constituiu actos inseguros que originaram uma situação de risco”, lê-se no comunicado divulgado pela FIA.
Segundo a explicação prestada pelo director de prova, Horácio Rodrigues, o reboque seguia para recolher um concorrente que tinha desistido do rali. O condutor terá introduzido as coordenadas GPS e o sistema de navegação indicou-lhe um percurso pela especial. O motorista não teria conhecimento de que estava a entrar num troço em curso, mas o veículo conseguiu atravessar várias barreiras que delimitavam a especial.
A situação agravou-se quando, cerca de 35 minutos depois, um segundo veículo da mesma empresa, alegadamente a caminho de prestar assistência, ultrapassou também as barreiras e entrou na especial à frente do carro n.º 21. Foi então accionada a bandeira vermelha por razões de segurança.
O director de prova confirmou que a entrada dos dois veículos nunca foi comunicada ao Controlo de Prova. Para o Colégio de Comissários, essa falha foi decisiva, por impedir que os concorrentes fossem avisados atempadamente de um perigo imprevisto.
O presidente do Automóvel Club de Portugal, Carlos Barbosa, admitiu à RTP que a situação “não pode acontecer”. O dirigente explicou que os reboques terão pedido autorização para entrar para retirar um carro que estava fora do troço, mas considerou que o reboque “não devia ter entrado”. Sobre o segundo veículo, referiu que, segundo a GNR, os ocupantes “forçaram” a entrada e não pararam. O presidente do ACP confirmou ainda que o operador dos reboques foi dispensado depois do incidente.
Apesar de a organização ter acordos com entidades externas para assegurar os cortes de estrada, a FIA sublinhou que o organizador mantém responsabilidade pela segurança da prova. Os comissários enquadraram a falha como infracção ao artigo 12.2.1.h do Código Desportivo Internacional da FIA de 2026, considerando que a penalização deve servir para incentivar melhorias, sobretudo na segurança.
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