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Molelos voltou a cozer louça preta debaixo de terra

A Soenga voltou a juntar, no fim-de-semana de 16 e 17 de Maio, centenas de pessoas no Parque das Raposeiras, em Molelos, para acompanhar um dos mais antigos métodos de cozedura da louça preta. A iniciativa, promovida pelo município de Tondela com o apoio da Junta de Freguesia de Molelos, chegou este ano à oitava edição consecutiva.

A preparação começou na tarde de sábado, com os sete oleiros de Molelos a disporem cerca de 200 peças numa cova pouco profunda, onde a louça foi cozida debaixo de terra durante 24 horas. A desenforna aconteceu no domingo, perante o público que se juntou à volta da pilha de peças já negras, muitas delas compradas logo depois por visitantes.

Molelos tem hoje sete oleiros, cinco homens e duas mulheres, e é o maior núcleo de olaria negra em Portugal. São eles que, no terceiro fim-de-semana de Maio, continuam a executar a Soenga como aprenderam com os familiares, mantendo vivo um saber transmitido entre gerações.

O programa juntou à cozedura artesanal ateliês de cerâmica, música, conversas sobre a louça preta, uma exposição fotográfica e a apresentação do livro “Mistérios do Tojal Mau”, de António Coimbra. Um dos momentos mais vistos foi o espectáculo de fogo “Agni Lumen”, do colectivo Art’Encena.

O “Processo de Produção do Barro Negro de Molelos” foi inscrito em Abril do ano passado no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, após candidatura apresentada pelo município de Tondela.

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