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Morreu “Rei Artur” Jorge. Autor: João Dinis

Morreu mais um dos imortais do jogo da bola, Artur Jorge de seu nome próprio e também “artístico”.  E lá se vai mais um bom pedaço do meu “eu” futebolístico !

Artur Jorge foi o homem, com ou sem a bigodaça farfalhuda, das “coisas bonitas” na arte de bem jogar à bola no futebol.  E bem a jogava ele !  Pelo chão (relva) e pelo ar.  Foi-lhe até atribuído um jeito especial de pontapear a bola para golo, o chamado “pontapé-moinho”, com ele todo no ar, aerodinâmico e ágil.

E bem também o pensava, ao jogo da bola, enquanto futebolista e depois treinador. Em primeiro lugar, treinava e usava um pensamento muito prático em jogo mas também juntava o conceptual embora apoiado em métodos e princípios de treino aplicados aos objectivos do jogo em que o principal deles é fazer mais golos na baliza adversária do que aqueles que entrarem na nossa baliza, desafio a desafio…  E pensar o jogo, também é ser mais rápido que a bola e os adversários, mesmo quando se não correr atrás de um deles ou de ambos e é dosear os tempos e a energia a nosso favor, a cada momento da contenda.  E logo isto é já intelectualizar o jogo da bola embora o melhor seja mesmo jogá-lo.

Ultimamente, “Rei Artur” pensava tanto (treinador) que às vezes dava mesmo a impressão de “estar noutra” e não lá onde o jogo também acontece, no “banco” das equipas… De uma dessas vezes ouvimo-lo comentar no final de um desafio :- “perdemos o jogo mas fizemos coisas bonitas…”.  Era do seu estilo…

O “Rei Artur” futebolista não foi um mito, foi mesmo real e nós vimo-lo ao vivo, em jogos e em treinos – sobretudo na “velha” Académica de Coimbra que, na altura, mantinha em campo, interligados e em movimento, vários  “triângulos de jogo” (jogo apoiado) servidos por muito bons intérpretes em que Artur Jorge também era um solista exímio. Rápido, elegante, enérgico, eficaz. Um artista da bola sem esquecer a objectividade em a pontapear ou cabecear para golo !

Artur Jorge também foi poeta e pintor. Houve um outro poeta que disse:- “…ele é que já não serve”, referindo-se ao soldado morto.  Nós diremos agora sobre Artur Jorge Braga de Melo Teixeira que “ele serviu e serve para embelezar e imortalizar o jogo da bola !”.

Viva o “Rei Artur”!

Viva Artur Jorge !

Viva os Jogadores da Bola !

21 de Fevereiro de 2024

 

 

 

Autor: João Dinis, Jano

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