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 Portugal fabrica medicamento inibidor da Covid-19 que está a ser restado na Austrália

Cientistas australianos identificaram um medicamento que pode neutralizar o novo coronavírus em menos de 48 horas. Trata-se do Ivermectine que é um desparasitante produzido pela farmacêutica portuguesa Hovione e está a mostrar eficácia contra o novo coronavírus em testes realizados na Austrália, avança a Rádio Renascensa. Marco Gil, director comercial da marca, recebe com alguma cautela a notícia de mais um estudo, desta vez australiano, que investiga um medicamento que pode ser eficaz no combate à Covid-19.

O medicamento em causa é um velho conhecido da farmacêutica portuguesa. Trata-se do Ivermectin, um desparasitante usado desde os anos 80 do século passado para combater diversas doenças como a cegueira dos rios e grande parte da produção mundial é feita pela Hovione. E, em declarações à Renascença, Marco Gil recorda essa bagagem toda que o Ivermectin tem e que, de resto já valeu o prémio Nobel a dois investigadores pela aplicação em África salvando milhares de pessoas. O director comercial da Hovione lembra que, “neste momento, têm de ser feitos estudos de fase três – já em pacientes – e terá de descobrir-se a dose terapêutica, para se apurar se, de facto, essa dose está dentro dos limites de toxicidade com que pode ser usado este produto”, mas reconhece que o facto de se conhecer a molécula há décadas “acelera o processo”.

Este responsável aponta para daqui a “cerca de seis a nove meses” o resultado de uma eventual eficácia do Ivermectine no combate ao novo coronavírus. A confirmar-se que é eficaz, a Hovione é capaz de produção em escala? “Depende das quantidades e da população a tratar e evidentemente haverá depois limitações e um tempo de adaptação para conseguir aumentar de forma exponencial a produção caso venha a ser necessário.”

Marco Gil garante que a empresa dará “obviamente” prioridade ao fármaco no caso de ser eficaz e que fará “tudo o que é humanamente possível para aumentar a capacidade de produção deste produto”. O Ivermectin não tem patente, é um genérico, por isso, a produção em escala também não deverá ser cara. O facto de existir há muitos anos no mercado “facilita o preço”, e mais, “será um produto muito mais barato do que uma molécula nova neste momento em estudo”, conclui.

Trata-se também de um medicamento seguro, sem efeitos secundários, mas, mais uma vez, Marco Gil trava expectativas exageradas, explicando que, se por um lado o Ivermectin “não tem efeitos secundários relevantes, sendo de administração segura, muito estudado há muitos anos, e, desse ponto vista traz a segurança de ser um produto com toxicidade baixa”, por outro lado “dependerá muito da dose terapêutica que será necessário administrar aos doentes de a administrar estes doentes da Covid 19”.

O estudo está disponível na página online da Universidade Monash, na Austrália, e conclui que o Ivermectine tem eficácia com um único tratamento e resultados visíveis em 48 horas. Mas estamos a falar ainda experiências até aqui em culturas de células em laboratório (in vitro) e não testes em humanos (in vivo).

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