Os eleitos do Partido Socialista na Câmara e na Assembleia Municipal de Gouveia entregaram esta quarta-feira uma carta à ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, na qual manifestam reservas relativamente ao projecto da barragem de Girabolhos e pedem esclarecimentos sobre os seus impactes, modelo de financiamento e benefícios para os territórios abrangidos.
A entrega do documento ocorreu durante a apresentação pública do concurso internacional para a concepção, construção e exploração da barragem, realizada em Gouveia.
Na carta, os autarcas socialistas explicam que a posição assumida na última reunião da Assembleia Municipal, onde a bancada do PS se absteve na votação de uma moção de apoio ao empreendimento, resultou da falta de informação sobre o projecto.
“Não poderíamos votar contra algo que desconhecemos, nem, pelos mesmos motivos, passar um cheque em branco sobre esta matéria”, sustentam.
Os eleitos do PS defendem que o Estudo de Impacte Ambiental realizado há cerca de duas décadas, no âmbito do Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, não deve servir de base à avaliação do actual projecto, considerando que este assenta hoje em pressupostos diferentes. Nesse sentido, questionam o Governo sobre quando será elaborado e tornado público um novo estudo ambiental.
Na carta, perguntam igualmente se a prioridade da futura barragem é a produção de energia hidroeléctrica ou a mitigação das cheias no Baixo Mondego e defendem que sejam clarificadas as contrapartidas destinadas aos concelhos mais afectados pela futura albufeira, nomeadamente Gouveia, Seia, Mangualde e Fornos de Algodres.
Os autarcas socialistas afirmam ainda desconhecer o modelo de financiamento previsto para a obra e defendem que um investimento desta dimensão não deve comprometer outros projectos considerados estruturantes para a região, como a execução do Programa de Revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela e a melhoria das acessibilidades.
Na conclusão da carta entregue à ministra, os eleitos do PS defendem que “um projecto com esta dimensão territorial, ambiental e financeira exige transparência, conhecimento científico actualizado e um verdadeiro processo de informação e envolvimento das populações e dos municípios directamente afectados”.
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