O Governo lançou esta quarta-feira, em Gouveia, o concurso público internacional para a concessão da barragem de Girabolhos, relançando um projecto que esteve suspenso durante quase uma década. A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, apontou 2034 como meta para a conclusão da obra, mas o programa do concurso admite que a construção possa prolongar-se até 31 de Dezembro de 2038.
Na apresentação pública do projecto, a governante sublinhou que o calendário dependerá também do apoio dos autarcas e das populações dos concelhos abrangidos.
“Se tudo correr bem e houver apoio dos autarcas locais, que traduzem o apoio da população, vamos conseguir fazer até 2034”, afirmou Maria da Graça Carvalho, acrescentando que o próximo passo passa por atrair concorrentes interessados em desenvolver o projecto e em assumir compromissos de compensação para os territórios afectados.
O concurso, publicado esta quarta-feira em Diário da República, tem por objecto a concessão da concepção, construção, exploração e conservação da barragem de Girabolhos, destinada à produção de energia hidroeléctrica através da captação de água. A concessão terá a duração de 65 anos e as propostas deverão ser apresentadas até 9 de Abril de 2027.
A adjudicação será feita segundo o critério da proposta economicamente mais vantajosa, sendo vencedora a candidatura que apresentar a contrapartida financeira mais elevada para o Estado, não estando definido um preço-base para a concessão.
A sessão decorreu nos Paços do Concelho de Gouveia e reuniu autarcas de vários municípios da bacia do Mondego, entre os quais Gouveia, Seia, Mangualde, Nelas, Fornos de Algodres, Celorico da Beira, Guarda, Manteigas e Sabugal. Estiveram igualmente presentes a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, e o presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, dois concelhos frequentemente afectados pelas cheias do Mondego.
Na apresentação técnica do projecto, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, José Pimenta Machado, defendeu que a barragem permitirá reforçar a segurança do abastecimento de água, aumentar a produção de energia hidroeléctrica e melhorar a capacidade de regularização dos caudais do Mondego, contribuindo para reduzir o risco de cheias a jusante.
A futura barragem abrangerá território dos concelhos de Gouveia, Seia, Mangualde, Nelas e Fornos de Algodres, recuperando um projecto inicialmente integrado no Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, cuja concretização chegou a ser adjudicada à Endesa antes de ser cancelada em 2016.
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