Secretário de Estado da Cultura na inauguração do Centro Interpretativo do Estado Novo Regime e Resistência em Santa Comba Dão

O secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, vai presidir amanhã, 23 Outubro, à inauguração do Centro Interpretativo do Estado Novo – Regime e Resistência sediado na antiga Cantina Salazar, no Vimieiro, um edifício dos anos 40 do século XX que a autarquia de Santa Comba Dão já tinha recuperado.

Com a coordenação científica da Associação EPHEMERA, dirigida por José Pacheco Pereira, este equipamento municipal tem o objectivo de promover o estudo, o conhecimento e a reflexão sobre o período do Estado Novo, dar a conhecer as diferentes dimensões do regime, bem como as formas de resistência à ditadura.

O CIEN – RR terá uma programação regular de exposições temáticas e de iniciativas de reflexão, incluindo debates, mesas-redondas, conferências e outras actividades relacionadas com os temas apresentados. O equipamento acolherá ainda uma biblioteca temática e uma sala de consulta, que vem reforçar a dimensão documental e de investigação do Centro.

O programa da inauguração do CIEN-RR estende-se ao longo de três dias, até 25 de Outubro. A abertura oficial está agendada para as 16h00, com uma visita guiada por José Pacheco Pereira, à exposição “Só Existe o que se Sabe que Existe – A Censura no Estado Novo”.

Às 17h00, José Pacheco Pereira junta-se a Rui Vieira Nery numa mesa-redonda, na qual serão comunicados e debatidos os objectivos do CIEN – RR, a organização e programação do equipamento. A moderação estará a cargo de Nuno Galopim, com emissão em directo a partir da RTP – Antena 2.

O primeiro dia termina com o concerto “Second Voice – José Afonso” por Diogo Martins, às 21h30, na Casa da Cultura de Santa Comba Dão.

No dia 24, a agenda começa, às 11h00, com uma nova mesa-redonda no CIEN – RR, desta feita entre José Pacheco Pereira e José Filipe Costa, realizador do filme Pai Nosso – Os Últimos Dias de Salazar (a exibir no dia 25), numa iniciativa que conta, uma vez mais, com a moderação de Nuno Galopim. Durante a tarde, às 15h30, terá lugar uma visita guiada ao património do centro histórico de Santa Comba Dão e o dia terminará com o Encontro de Bandas Filarmónicas – Música e a Censura, às 21h30, na Casa da Cultura.

No dia 25, a Casa da Cultura recebe a Mostra de Cinema – “Cinema, Memória e Estado Novo”. A programação do dia começa às 15h00, com a estreia de uma curta-metragem de Telmo Oliveira e Carolina Costa, seguindo-se, às 15h25, uma conversa com os realizadores. Às 16h30 será apresentado o filme “Pai Nosso: Os Últimos Dias de Salazar”, de José Filipe Costa. Nos dias 24 e 25 de Outubro, a exposição “Só Existe o que se Sabe que Existe – A Censura no Estado Novo” estará aberta entre as 10h00 e as 18h00.

Estes três dias em que se assinala a abertura do CIEN marcam o arranque definitivo de um projecto que pretende contribuir para o conhecimento e a reflexão sobre um período marcante da história portuguesa, dando a conhecer toda uma época e a sua contextualização, nas suas diferentes dimensões: regime e resistência.

Toda a programação e as actividades do Centro Interpretativo serão acompanhadas por uma Comissão Científica, cuja composição será anunciada pela EPHEMERA e pela Câmara Municipal de Santa Comba Dão.

“Não queremos transformar este Centro Interpretativo num museu do ditador, queremos sim criar um Centro Interpretativo que estude não só o regime, mas também a resistência ao regime”, garantiu à agência Lusa o vice-presidente da Câmara de Santa Comba Dão, Luís Nunes.

A Associação Ephemera, dirigida pelo Dr. Pacheco Pereira, vai disponibilizando parte do seu espólio temático sobre o tema”, explicou Luís Nunes, acrescentando que a Escola Cantina Salazar passará a ser um espaço para exposições temáticas, debates, conferências e discussões académicas.

“O que é que não se pretende? Criar um museu ao Salazar, ao ditador”, assegurou, acrescentando que haverá “uma sala de aulas que é época, em que na parede está a fotografia do Salazar”.

Luís Nunes considerou que “há toda uma contextualização que não é passível de ser escondida, de ser camuflada”.

“São fenómenos históricos a partir dos quais nos devemos necessariamente aprender para não voltar a cometer os mesmos erros. Não se trata de um culto da memória, mas sim cultivar a memória para evitar os erros no futuro”, realçou. O autarca mostrou-se convencido de que este projecto dinamizará o Vimieiro e Santa Comba Dão, ao ser “um polo de atração” de visitas de turismo e de grupos de escolas de vários pontos do país.

“Até porque esse movimento já existe, a título individual, mesmo não havendo lá nada para ver. Há uma procura grande por parte de curiosos que querem perceber como é a aldeia onde o ditador nasceu e passou algum tempo”, contou.

Com o CIEN – RR aberto ao público, “certamente que esse fluxo vai ficar mais organizado, mais significativo, trazendo também esse retorno económico a Santa Comba Dão”, considerou.

José Leite

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