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Travancinha, a capital do downhill na Serra da Estrela

Clube do concelho Seia abandonou o futebol e apostou num desporto radical de duas rodas

O presidente do Sporting Clube da Travancinha, no concelho de Seia, Alberto Monteiro, é um apaixonado por futebol. Foi um dos elementos que vestiu a camisola do clube da terra. Mas a colectividade, filial nº 74 do Sporting Clube de Portugal, não conseguia suportar os custos da modalidade e acabou por extingui-la há vários anos. O clube manteve-se, sem qualquer modalidade federada, e este ano apostou numa das variantes mais radicais do ciclismo: downhill, uma versão do BTT que consiste em descer rapidamente uma montanha. Uma aposta que se deve em muito à amizade do presidente do clube com o ciclista José Nunes, de Oliveira do Hospital, e que estava a competir num grupo da Figueira da Foz. Com ele veio também a irmã Joana Nunes, uma oliveirense que, aos 19 anos, se assume como a estrela da companhia, tendo conseguido resultados que ajudaram o clube superar as expectativas do adepto mais optimista.

“A Joana foi fantástica, como todos os restantes sete elementos do grupo. Mas ela é vice-campeã nacional e terceira na Taça de Portugal, uma prova que inclui muitas equipas espanholas” conta Alberto Monteiro, sem esconder uma ponta de orgulho. E fala no sétimo lugar que o clube conseguiu, entre 22 equipas, na Taça de Portugal e da sétima posição conquistada no Campeonato de Portugal disputado numa só prova em Pavela, Viana do Castelo. “E não tivemos uma posição melhor devido à queda de José Nunes na última prova, em Porto de Mós”, conta. Um acidente que valeu algumas costelas partidas ao atleta que também caiu da quinta para a sétima posição na classificação geral, além de não somar pontos para a equipa. “É, contudo, extraordinário para o primeiro ano, porque até podíamos ter terminado em quinto lugar na Taça de Portugal e temos boas possibilidades de vencer a nível regional. Aqui lideramos em várias categorias”, diz este dirigente que promete apostar na formação, captando jovens atletas para o clube. Quer que o SC de Travancinha seja uma referência na modalidade.

“Nas festas de Travancinha vamos realizar um dia aberto com um pequeno para todos aqueles que pretendam experimentar o possam fazer sob a orientação dos nossos atletas”, explica Alberto Monteiro. Esta é também uma ideia partilhada por José Nunes que se mostra convicto que, ao assistirem à competição da equipa, muitos jovens vão sentir-se atraídos pela modalidade. “É que no raio de 70 a 80 quilómetros não temos outra equipa e os jovens desconhecem quase que por completo a modalidade. Eu tinha de correr por uma equipa da Figueira da Foz”, explica o ciclista, de 30 anos, confessando que sempre acalentou o sonho de construir uma equipa na região.

“E uma forma de permitir aos atletas deste território o acesso a um clube que os pode acolher”, remata, frisando que ficou surpreendente com o apoio de muitas dezenas de pessoas que estiveram na etapa da Taça de Portugal que se realizou na Bike Park de Vila Cova à Coelheira, uma pista criada em 2022 nos baldios desta freguesia do concelho de Seia. “Surpreendeu-me o número de adeptos. A nossa aposta de trazer provas a esta pista está ganha pela forma como foi divulgada a modalidade”, conta José Nunes, reconhecendo que o equipamento pode ser um entrave à prática da modalidade já que uma boa bicicleta custa cerca de cinco mil euros. “Para começar podem ter um equipamento mais modesto e depois podem comprar-se excelentes bicicletas usadas a preços muito mais baixos”, frisa.

Mas como surgiu a ideia de apostar no downhill? “Numa conversa com os representantes do município fui desafiado a sair da zona de conforto e procurar outras soluções. Falei com o meu amigo Zé Nunes sobre a possibilidade de constituirmos aqui uma equipa. Os meus colegas de direcção concordaram e ele abraçou a ideia e foi fundamental para reunir os atletas e formar a equipa”, conta, sublinhando que de seguida partiram à procura de apoios e, com a ajuda do município, a ideia avançou. “Agora levamos o nome de Seia, Travancinha e da Serra da Estrela a todos os cantos do país”, concluiu.

 

 

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