“INCUBADORA EM VILA DO MATO? É DEITAR DINHEIRO À RUA”, DIZ FERNANDO TAVARES PEREIRA
TÁBUA DE QUEIJOS E SABORES DA BEIRA REALIZOU-SE NO MULTIUSOS E FOI VISITADA POR VÁRIAS FORÇAS PARTIDÁRIAS, SÓ GOVERNO NÃO ESTEVE PRESENTE E A CÂMARA NÃO NOS DEU EXPLICAÇÕES PELO FACTO
Teve um cunho fortemente politizado, ou não estejamos a poucos meses das eleições autárquicas, a 36ª edição da Tábua de Queijos e Sabores da Beira que se realizou no passado fim-de-semana no Pavilhão Multiusos.
Enquanto do lado do PS se notou a ausência das figuras principais ou de topo do partido, apenas de destacar a presença de Emílio Torrão, o edil socialista de Montemor-o-Velho que preside à Comunidade Intermunicipal de Coimbra, não esteve presente qualquer representante do governo. Até à hora do fecho desta edição, o gabinete do Presidente da Câmara Municipal de Tábua não explicou ao nosso jornal se foi ou não convidado um representante governamental como costuma ser habitual neste tipo de eventos e quais os motivos das sua ausência.
De registar a presença de uma comitiva do Chega, que integrava o líder parlamentar Pedro Pinto, e os deputados Eliseu Neves e Armando Grave, além de elementos das estruturas locais.
O PSD também esteve presente em força nesta feira, através de dois deputados, Maurício Marques e Ana Oliveira, do líder de Coimbra, Paulo Leitão, da presidente da concelhia de Tábua, Tânia Pereira, e dos vereadores Fernando Tavares Pereira e Vítor Melo.
Falando à nossa reportagem, Fernando Tavares Pereira, que anunciou recentemente que não se iria recandidatar a presidente da edilidade, considerou que este evento “faz falta a Tábua e deve ser realizado todos os anos, para promover a região e os seus produtos, embora o queijo da serra da Estrela aqui presente fosse escasso, devido à ausência de produtores, e os que havia, após os incêndios de 2017,a maioria ainda não foi ressarcida dos prejuízos que teve”, acentuando a ineficácia que deram mostras o anterior governo, especialmente Ana Abrunhosa, que tutelava a pasta da Coesão Territorial.
“Na minha opinião, houve alguns custos desnecessários com esta feira, mas quem está no poder é que sabe o que pode gastar, podendo ter feito outras atividades, não só na sede do concelho mas em toda a região demarcada, que integra as freguesias de Midões, Póvoa de Midões e Vila Nova de Oliveirinha.
“Foi um desprezo para essas freguesias”, acentuou.
A transferência do edifício da antiga escola em Vila do Mato para uma Incubadora de Queijo, num investimento de cerca de 700 mil euros, suportado pelo Programa de Revitalização do Pinhal Interior Norte, um caso que tem levantado alguma polémica naquela aldeia com o povo a opor-se à sua instalação e que foi praticamente ignorado pelo executivo camarário durante esta feira, mereceu ainda da parte de Fernando Tavares Pereira o seguinte comentário: “Acho que o Município não pode dar maus exemplos, pois todo o edificado industrial, deve ter um pé direito de 5 metros, o que não existe com o edifício da escola. Deviam ter feito esse projeto num local diferente, onde houvesse um espaço para as ovelhas, longe de uma casa mortuária, para que não estragasse um local que é da população, onde esta faz as suas atividades. Eu tenho um terreno com cerca de um hectare e ofereço-o para isso, caso seja necessário, para que possam fazer algo diferente que se projete no futuro. Assim é deitar dinheiro à rua”.
Vítor Melo considerou positiva a medida da Câmara de pagar na totalidade aos pastores a vacinação das ovelhas, mas sustenta que esses incentivos deveriam ser “mais globais ao longo do ano, tanto aos atuais pastores como àqueles que queiram criar uma exploração, porque não nos devemos esquecer que no nosso concelho apenas existe uma única queijaria e nem sequer é certificada, não é queijo DOP, é uma resiliente, todas o outras já não existem”.
O vereador do PSD diz que esta situação se deve à falta de apoio às unidades. ”Se formos a outras Câmaras, como Seia e Celorico da Beira, os apoios são outros, porque o queijo é certificado”. E questionou: “Temos aqui dezenas de pessoas a vender os seus produtos e eu pergunto: quais são os produtos fabricados aqui no concelho, especialmente o queijo que dá nome à feira? Há um apenas”, referiu o vereador, sublinhando que não é a criação da incubadora em Vila do Mato que vai mudar tudo.
“Porque é que tem de ser feita a queijaria naquele local, dentro do perímetro urbano? Há tanta área devoluta por aí…Porque vão tirar ao povo de Vila de Mato aquela base para as suas atividades. Pergunto igualmente: onde vão construir a ETAR de apoio àquela unidade fabril por causa do tratamento dos esgotos? Vai haver cheiros, efluentes. Por outro lado, a matéria-prima é escassa, onde vão buscar o leite. E todos nós sabemos que quem vai trabalhar para lá é quem está neste momento a trabalhar na ANCOSE”, acrescentou Vítor Melo
Não especificando números, a Câmara Municipal fala que o evento atraiu milhares de visitantes, que desfrutaram de um programa repletos de atividades diversificadas, dedicadas à valorização dos produtos endógenos e do património local, num amplo reconhecimento a todos os que se dedicam às atividades do Mundo Rural. E destaca que a Montra Vínica, localizada no primeiro piso do Pavilhão Multiusos, foi um dos espaços mais visitados, reunindo vinhos de Regiões Demarcadas de todo o País, embora haja quem contradiga e sustente que esta Montra foi um autêntico fracasso, não só por ter ficado situada longe do público mas pelo fato de na altura das provas de vinho, tiveram de ser chamados os elementos da Câmara para fazer número.
Para o Presidente do Município de Tábua, Ricardo Cruz, a Tábua de Queijos e Sabores da Beira demonstrou um papel determinante na promoção dos produtos regionais e no fortalecimento da identidade local, revelando “a aposta crescente do Município na preservação do Mundo Rural como ficou expresso no Protocolo assinado com a ANCOSE de reforço do apoio disponibilizado às explorações pecuárias do Concelho.”
E destacou que o sucesso e a importância desta iniciativa, para além dos milhares de pessoas que acolheu, está patente no envolvimento dos produtores, de dezenas de associações e entidades locais e das centenas de voluntários que se disponibilizaram para continuarem a desenvolver um trabalho que orgulha o Concelho e a demonstrar a sua enorme capacidade de realização e concretização de projetos.”
Sendo discutível que o certame tenha recebido os previstos 10 mil visitantes/dia, de facto, no domingo, teve uma enchente ao longo da tarde, com a presença do camião do “Domingão” da SIC (que custou a “bagatela” de 9500 euros, segundo o contrato exposto no Portal Base, embora estes números possam ter duplicado se atendermos a outras questões logísticas).
Queijos vindos de outras paragens, boa gastronomia local proporcionada pelas 11 tasquinhas de associações concelhias, padaria e doçaria, artesanato, vinhos, e até a Marmelada da Confraria de Odivelas estiveram patentes nesta feira. Que culminou com a eleição da Rainha Vinhateira de Tábua, que consagrou a jovem Francisca Santos da União de Freguesias de Espariz e Sinde, que irá representar Tábua no Concurso Nacional “Embaixadora dos Territórios Vinhateiros de Portugal”.
Texto: José Leite/CMT
Fotos: Nuno Pereira e J.L,.
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