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António Joaquim Santana: o médico que deu rosto à saúde em Celorico da Beira

No feriado municipal de 23 de Maio de 2025, António Joaquim Santana foi homenageado com a atribuição do seu nome ao edifício do Centro de Saúde de Celorico da Beira. Dois dias depois, faleceu em sua casa, aos 98 anos, prestes a completar 99.

Visivelmente emocionado durante a cerimónia, António Joaquim Santana confidenciou: “Muito feliz. Os olhos atraiçoam e as lágrimas aparecem. Tudo isto me encanta. Estou muito emocionado.” O reconhecimento público surgiu também pelo Ministério da Saúde, que em abril lhe conferiu a Medalha de Serviços Distintos – grau ouro, a mais alta condecoração daquela tutela. A distinção salientou o seu contributo para a melhoria dos cuidados de saúde no interior do país, particularmente em Celorico da Beira, onde foi um defensor persistente da saúde pública e do apoio às comunidades rurais.

Natural do Espinheiro, freguesia de Celorico da Beira, e filho de ferroviários, António Joaquim Santana refletiu sobre as várias carreiras que considerou antes de optar pela Medicina: “Já tinha feito o meu sétimo ano e coloquei como possibilidade a engenharia, a vida militar e a medicina. Optei pela medicina e formei-me em 1962.” Dois anos depois, instalou-se na vila com um consultório próprio.

Recordou as dificuldades iniciais: “Em 1973 entrei para o hospital sub-regional. Era um bocadinho difícil. A gente aqui era pobre. A maior parte das pessoas iam ao médico na última hora. Muitas vezes já era muito tarde para fazer qualquer coisa. A vida foi melhorando um pouco.” Entre 1961 e 1973 acumulou a prática clínica com a presidência da Câmara Municipal de Celorico da Beira.

Em 1973, com a criação do Centro de Saúde local, eram apenas dois os médicos ao serviço. Após a aposentação do colega Dr. Lucas, em 1978, assumiu sozinho a clínica durante cerca de três anos, até à chegada dos médicos periféricos que passaram a prestar assistência nas zonas rurais. “A memória mais agradável que tenho é ver a qualidade de vida das pessoas a melhorar. Foi a minha maior alegria.”

Ao despedir-se da vida profissional, deixou um concelho onde já funcionavam o serviço de urgências 24 horas e várias valências médicas. “Fizemos escola. Aqui, em Celorico da Beira, formaram-se médicos”.

O Sporting Clube Celoricense, do qual António Joaquim Santana era sócio número um, manifestou pesar pela sua partida: “Perdemos não só o nosso sócio mais antigo, mas uma das maiores figuras da história do concelho.” A Câmara Municipal decretou luto municipal, expressando “profundo pesar” e enviando “as mais sentidas condolências” à família, com a esperança de que “a sua memória perdure como exemplo de serviço, dedicação e humanidade”.

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