… só é comparável com a grande depressão de 1929 que teve consequências devastadoras.
Para o leitor compreender do que estamos a falar e para o ajudar a reflectir vale a pena escrever algumas linhas sobre essa crise, suas consequências e semelhanças com a actual.
Esta incursão pela história pode servir para aprender a lição para que não se cometam os mesmos erros. Em Outubro de 1929 a bolsa americana entra em derrocada acentuada.
O Banco Central americano toma a decisão de diminuir o dinheiro em circulação.
Em 1931 o Banco de Viena entra em falência.
A partir desta falência há uma corrida aos depósitos, principalmente na Alemanha.
Centenas de bancos desaparecem.
O Comércio Mundial foi paralisado por proteccionismos nacionais e as exportações caíram a pique.
O desemprego subiu para mais de 24%.
A confiança nas economias afundou-se e a fome e a miséria alastrou.
As consequências políticas de tal crise foi o avanço das ditaduras e do fascismo.
Mussolini já estava no poder em Itália, em 1933 o Hitler toma conta da Alemanha, em 1932 Salazar aparece como salvador, em 1936 depois de uma violenta guerra civil, Franco toma o poder em Espanha, em 1935 é a Grécia, para não falar da Roménia, Polónia, Bulgária, etc.
Nestas épocas de crise o populismo demagógico, o nacionalismo exacerbado, os salvadores da Pátria, os oportunistas da palavra, os que não respeitam a liberdade dos outros encontram um terreno propício para actuarem.
A consequência final desta grande depressão, foi o criar das condições para a II Grande Guerra Mundial que começou em 1939.
O início da actual crise tem semelhanças com a grande depressão de 1929, começa com a queda das bolsas, os conservadores dos Estados Unidos deixam falir um banco, o sector financeiro entra em pânico, o desemprego começa a ser galopante, em Espanha, já ultrapassou os 3 milhões e nos Estados Unidos só no mês de Novembro cerca de 520.000 pessoas perderam o emprego.
Na Grécia a instabilidade fomentada por grupos de anarquistas já começou.
É preciso aprender com a História e não repetir os mesmos erros na actual crise.
É impressionante a leviandade com que alguns políticos abordam a crise actual, dando a sensação de que pretendem o caos em vez de discutirem com seriedade a forma de saírem dela.
Felizmente que estamos na União, que temos uma moeda forte e parceiros responsáveis.
Pela primeira vez assistimos a uma acção concertada de todos os Países que aprenderam a lição a meterem os recursos do Estado e a vontade política para evitar a falência do sistema financeiro.
Hoje, todos os economistas condenam os americanos por terem deixado falir um banco que semeou o pânico no sector financeiro mundial.
É uma derrota dos conservadores da escola de economia de Chicago e é o retomar das teorias Keynesianas.
Numa situação de crise do sistema financeiro, que é o tecido nervoso da actividade económica o não deixar falir um banco e nacionalizá-lo é para alguns demagogos de esquerda um erro, para muitos de direita uma afronta porque é o reforço da acção do Estado.
Não aprenderam a lição.
O sistema financeiro, todos nós já o sabíamos, precisa de uma grande reforma de transparência e de moralização.
Desta crise tem de sair vencedora a economia real em detrimento da de casino.
A moralização do sector financeiro, baseada na ética e na transparência penso que se tornou imperiosa e inadiável.
O desemprego é o inimigo a combater, de todas as formas possíveis.
Perante a desconfiança do privado e da dificuldade de financiamento o Estado deve assumir até ao limite do possível a dinamização do investimento.
Se o sector financeiro retomar a confiança e os Estados a nível mundial assumirem as suas responsabilidades, as exportações retomarão a sua função, a crise será ultrapassada e o desemprego vencido.
Feliz Natal e a esperança de um Ano Novo cheio de felicidades.
António Campos
Ex-Eurodeputado do PS
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