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Fernando Tavares Pereira defende desenvolvimento do interior e admite candidatura autárquica

“Os concelhos do interior precisam de mais trabalho e não de bater palmas”

Fernando Tavares Pereira participou numa reunião na Assembleia da República com o grupo parlamentar da Economia e Infra-estruturas do PSD. O empresário considerou o encontro positivo, tendo recebido garantias da construção do troço de ligação do IC6 entre Tábua e Seia. Durante a reunião, teve ainda a oportunidade de transmitir aos deputados os problemas enfrentados pela região e a necessidade urgente de medidas para combater a crescente desertificação destes territórios. Tavares Pereira revelou ainda ao CBS estar disposto a avançar com uma candidatura nas próximas eleições autárquicas.

CBSA que se deveu esta reunião?
Fernando Tavares Pereira – Serviu para tratar de projectos empresariais, mas também dos interesses da região, sobretudo na criação de infra-estruturas e no desenvolvimento. Foi um encontro valioso, uma vez que nos foi garantido que o IC6 até Seia será uma realidade, e que os troços restantes não serão esquecidos. Refiro-me à ligação à Covilhã, à A25 em Celorico da Beira e a ligação a Viseu.

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Estes investimentos são vitais para a região. Só os concelhos de Oliveira do Hospital, Gouveia e Seia perderam cerca de 20 mil habitantes nos últimos 20 anos. Este é o legado que os políticos nos deixaram. E o mesmo aconteceu com as empresas. Quantas encerraram e quantas abriram? Onde estão os iluminados que tantas promessas fizeram? Só tenho uma certeza: sem acessibilidades, não há desenvolvimento. Os políticos precisam de se focar nisso. Os concelhos do interior precisam de mais trabalho e não de bater palmas.

Que outros assuntos de interesse para a região foram abordados?
Falámos sobre os apoios comunitários para o interior, para as empresas se sentirem atraídas por esta região. É que nos últimos 20 anos, pouco se investiu por cá. O Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) deveria ser direccionado para esta região, mas o investimento foi escasso, e os incentivos às empresas quase inexistentes. Procurei sensibilizar os deputados para um ponto que insisto sempre: sem acessibilidades, não há desenvolvimento. A nossa região enfrenta graves problemas porque as obras prometidas há décadas nunca se concretizaram. O interior continua esquecido. Por isso, também já solicitei uma reunião ao primeiro-ministro e à Comissão Parlamentar de Economia.

Quais foram os pontos positivos que retirou desta reunião?
Fiquei convencido que, pelo menos, o IC6 será concluído até Seia. Contudo, com a população que se perdeu nos últimos anos, não sei como será possível recuperar estes territórios sem mais medidas que incentivem a fixação de pessoas e a construção das restantes acessibilidades. Disse-lhes tudo isto. Disse-lhes o que me vai na alma. Não estou aqui para ser politicamente correcto. Quem discordar, que apresente alternativas. Gosto de soluções claras e concretas. Precisamos de infra-estruturas para fixar empresas e pessoas. Ponto.

Tem muito crítico em relação à execução do PRR…
Também lhes transmiti que o PRR tem feito muito pouco pela nossa região. Este plano tem servido, sobretudo, para alavancar o sector público, sem quase nada em termos de apoio à economia regional.

O que o leva a continuar a defender estas ideias?

Nasci aqui e hei-de morrer aqui. Vejo muitos responsáveis da região alcançarem o poder e esquecerem as dificuldades de quem os elegeu. No interior, temos pessoas com competência e capacidade para atrair investimentos. Só precisam de ter as mesmas oportunidades que foram, e continuam a ser dadas a empreendedores de outras zonas do país. Não pedimos favores; queremos apenas ser tratados como todos os outros portugueses.

Admite regressar à política activa e recandidatar-se nas próximas autárquicas?
Tenho estado afastado do meu cargo de vereador na Câmara Municipal de Tábua devido a problemas de saúde, que estou a superar. Tudo está em aberto. Há algum tempo disse que me afastaria da política, mas, considerando a forma como as coisas estão e a falta de uma voz representativa da região, poderei avançar com uma candidatura a uma câmara deste território. Sinto que, perante a situação que vive a nossa região, não posso ficar na minha zona de conforto. Considero necessário alguém que diga o que lhe vai na alma. As decisões precisam de passar por quem conhece verdadeiramente as causas. Actualmente, há gente nos centros de decisão sem a experiência necessária.

Por qual partido se candidatará?
Recebi convites, mas, na altura, não tinha a certeza do que faria. Hoje estou convicto de que a minha candidatura será benéfica para a região. Pode ser por um partido, mas o mais provável é que seja através de uma lista abrangente de independentes da nossa região – um grupo de pessoas que não se esqueçam dos problemas de quem os elegeu.

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