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Fernando Tavares Pereira nos 50 anos do Grupo Tavfer: “Sempre fui livre de dizer o que penso e isso tem-me custado muito” 

Almoço comemorativo em Midões, Tábua, juntou cerca de 500 pessoas entre políticos, empresários, colaboradores e instituições apoiadas pelo grupo

A liberdade de dizer o que pensa, marca que o próprio admite ter-lhe custado muito ao longo da vida, foi sublinhada por Fernando Tavares Pereira durante o almoço que assinalou no sábado os 50 anos do Grupo Tavfer. O encontro decorreu em Midões, no concelho de Tábua, e reuniu cerca de 500 pessoas, entre políticos, empresários, colaboradores actuais e antigos e várias instituições apoiadas pelo grupo. Entre os presentes esteve o candidato presidencial António José Seguro, a quem o empresário apelou para que, se eleito, dê mais atenção ao interior.

Fernando Tavares Pereira evocou o seu percurso de vida, lembrando as origens humildes. Começou a trabalhar nas feiras a vender refeições e, aos dez anos, começou a trabalhar por conta de outrem, “ganhando dois escudos por dia, depois três e depois quatro”. Aos 13 anos passou um ano a recolher resina. “A vida era assim. Éramos vários irmãos, as coisas eram difíceis, mas os meus pais conseguiram vencer. Foi duro, mas fomos estimulados e vencemos”, afirmou.

Em 1980 decidiu seguir um caminho por conta própria, juntamente com a sua esposa, a quem deixava as medidas para cortar o ferro com um serrote. Mais tarde instalou a primeira empresa na zona industrial de Oliveira do Hospital, numa altura, explicou, em que não havia fundos europeus e as câmaras municipais faziam grandes esforços para apoiar novos projectos. “Mas desde essa altura, já lá vão quase 40 anos e nenhuma praticamente nenhuma Câmara fez mais nada. É para verem a miséria que vivemos nestes concelhos. Estão abandonados, mas os responsáveis também não se interessam por nós. Tem sido muito difícil”.

O empresário recordou ainda um episódio financeiro difícil. Em 1994 vendeu acções de uma empresa que não lhe foram pagas e, em 1995, recebeu-a novamente com uma dívida de quase três milhões de contos que não tinha contraído. Graças a um acordo com a Caixa Central foi possível estabelecer um plano, que foi cumprido integralmente, para solucionar o problema. “Agradeço à Caixa Central”, disse, sublinhando que a vida tem sido de muito trabalho e com muitos espinhos.

Fernando Tavares Pereira relatou também processos judiciais e fiscais que enfrentou, afirmando que apenas a solidez do grupo permitiu resistir. Em 1995, as Finanças levantaram-lhe um auto de 900 mil contos, caso que foi resolvido agora. Acrescentou que levantaram outro auto há 13 anos, de 17 milhões de euros, e que o Supremo Tribunal só agora lhe deu razão. “Sempre fui livre de dizer o que penso e falar aquilo que quero. Isso tem-me custado muito na minha vida, muito mesmo. Temos vencido, mas a perseguição que me fazem é muito complicada. Mas nunca me venceram”, afirmou, acrescentando que o grupo só resistiu porque tinha garantias para dar.

Entre as críticas, apontou a falta de investimento público na região. “Desde que nos instalámos, já lá vão quase 40 anos, e quase nenhuma câmara municipal fez mais. É para verem a miséria que vivemos nestes concelhos. Estão abandonados, mas os responsáveis também não se interessam por nós”, disse.

Marcaram igualmente presença no almoço instituições apoiadas pelo grupo, como o Vitória de Setúbal e o Sampaense Basket. Um dirigente do clube sadino disse mesmo que sem a ajuda de Fernando Tavares Pereira não se saberia o que teria acontecido a um dos clubes mais representativos do futebol português.

O empresário dirigiu-se ainda a António José Seguro, pedindo-lhe que, se for eleito Presidente da República, tenha em conta que o interior do país faz parte do país e que quem lá está precisa de todo o apoio. Acrescentou que todos os portugueses merecem viver de igual forma, lamentando a ausência da maioria dos deputados da região, e notando que apenas João Tilly, do Chega, esteve presente.

Sobre a banca, declarou que deixou de recorrer ao crédito e avançou com meios próprios, num esforço muito grande que, disse, tem permitido ao grupo vencer. Sublinhou ainda investimentos recentes em áreas como energia e ambiente, e recordou os oito milhões aplicados na criação de centros de inspecção de motos, entretanto travada pela legislação.

O empresário Fernando Tavares Pereira deixou ainda uma palavra de gratidão a todos os que felicitaram o grupo, sublinhando que “a família e os funcionários agradecem as felicitações pelos 50 anos de actividade do Grupo Tavfer”. “O nosso muito obrigado também a todos os colaboradores, clientes e amigos. Um grande abraço da família Tavfer”, concluiu.

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