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Guarda e Viseu ficam para trás na reciclagem e travam metas da região Centro

Região ultrapassa em 2024 a meta nacional de embalagens, mas vidro continua a ser o elo mais fraco. Coimbra e Leiria já estão acima da média, enquanto Guarda e Viseu precisam quase de duplicar resultados

A região Centro reciclou em 2024 uma média de 46,5 quilos de embalagens por habitante, superando a meta nacional definida para esse ano (44,9 quilos) e também a média do país. No entanto, o vidro continua a ser o ponto mais frágil, sem que qualquer sistema de gestão de resíduos urbanos se aproxime da meta europeia de 2025.

Segundo dados da Sociedade Ponto Verde, divulgados esta sexta-feira, 12 de Setembro de 2025, em Lisboa, a região Centro registou um crescimento de 14% entre 2020 e 2024, com dois sistemas de gestão já acima da média nacional e um deles muito próximo da meta de 59,2 quilos per capita estabelecida para o próximo ano.

Apesar dos progressos, a retoma do vidro revela-se insuficiente: em quatro anos a evolução foi de apenas 10%, passando de 17,2 para 19 quilos per capita. Nos sistemas com pior desempenho seria necessário duplicar os valores de recolha para atingir a meta de 2025.

No detalhe local, Coimbra e Leiria já se encontram acima da média nacional, enquanto Viseu e Guarda permanecem muito abaixo, necessitando praticamente de duplicar a retoma per capita.

A nível nacional, o Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens contará em 2025 com 219 milhões de euros — mais 99 milhões do que no ano anterior —, mas a Sociedade Ponto Verde sublinha que o financiamento tem de chegar às populações. “A gestão de resíduos não pode ser tratada apenas como um problema técnico, exige liderança política, proximidade e compromisso com os cidadãos”, afirmou a presidente executiva, Ana Trigo Morais.

Apesar do reforço, Portugal continua em risco de falhar as metas europeias. O Reexame da Aplicação da Política Ambiental da Comissão Europeia, publicado em 2025, aponta falhas persistentes na execução dos planos nacionais e alerta para a pressão crescente sobre os aterros, com nove a poder esgotar nos próximos dois anos.

Como resposta, a Sociedade Ponto Verde propõe reforçar a colocação e manutenção de ecopontos, aumentar a frequência das recolhas, apostar em sensores de enchimento e rotas inteligentes, implementar mecanismos de recompensa para cidadãos que separam correctamente os resíduos, incentivar cadeias de produção mais sustentáveis e reforçar a literacia ambiental junto de escolas e comunidades. “Mais do que discutir metas distantes, trata-se de promover soluções concretas, próximas das populações e decisivas para o futuro da região e do país”, concluiu Ana Trigo Morais.

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