Home - Últimas - “Invasão amarela australiana” coloca em causa qualidade do mel certificado da Lousã

“Invasão amarela australiana” coloca em causa qualidade do mel certificado da Lousã

Com o nome científico “acacia dealbata”, a mimosa é uma árvore originária da Austrália, cuja área de implantação em Portugal, sobretudo no Centro, tem aumentado exponencialmente todos anos. “Estas invasoras são uma ameaça real para a biodiversidade e para os nossos ecossistemas”, afirma a bióloga Helena Freitas. Mais o elevado número de mimosas está a colocar muitas dificuldades à quantidade e qualidade, do mel certificado da Serra da Lousã.

A directora executiva da Lousãmel – Cooperativa Agrícola dos Apicultores da Lousã e Concelhos Limítrofes, Ana Paula Sançana, sublinha que, “além da descaracterização da paisagem e também da nossa flora e biodiversidade, elas têm vindo a ocupar muitas das zonas que antes eram urzais”, sublinhou. As flores das diferentes variedades de urze, recorde-se, determinam as características únicas do mel com denominação de origem protegida (DOP) Serra da Lousã, que abrange 10 municípios, cabendo a gestão da região demarcada à Lousãmel, com sede na Lousã, no distrito de Coimbra.

Por outro lado, a flor da “acacia dealbata” não é melífera, ao contrário da flor de eucalipto, espécie exótica que tem vindo a revelar também comportamentos de invasora na sequência dos fogos florestais dos últimos anos. “Não vemos nenhuma inversão desta situação. Em zonas onde houve incêndios, a acácia consegue avançar com mais facilidade do que as outras espécies”, salientou Ana Paula Sançana. “Eu gostaria de ver a Serra da Lousã roxa, com as urzes em flor, e não amarela”, concluiu.

A professora catedrática da Universidade de Coimbra Helena Freitas realçou que a acácia possui “uma vantagem competitiva forte”, que lhe permite ganhar terreno à vegetação local que encontra pela frente. As espécies autóctones “têm uma resposta lenta” nesta disputa. “As mimosas adaptam-se com facilidade às novas condições e aos inimigos que enfrentam no nosso território”, referiu.

Enquanto leguminosas, “têm capacidade de processar o azoto atmosférico”, o que lhes assegura um desenvolvimento mais rápido, fazendo definhar as plantas concorrentes, por escassez de água, nutrientes e exposição solar. Helena Freitas alertou que “já são muito poucos os nichos de floresta autóctone”, no Centro e noutras regiões onde têm alastrado as manchas de invasoras, como as mimosas e os aliantos (“ailanthus altíssima”). “Precisamos de uma agenda de restauro da floresta em Portugal. Vale a pena admitirmos que será um processo de prazo longo”, tendo presente a “necessidade de adaptação” às alterações climáticas, defendeu a cientista, que em Janeiro assumiu o cargo de directora do Parque de Serralves, no Porto.

 

LEIA TAMBÉM

Manteigas reforçou rede de abastecimento de água após danos provocados pelas intempéries

A Câmara Municipal de Manteigas reforçou o sistema de abastecimento de água na sequência dos …

Polícia Judiciária deteve mulher que tentava introduzir haxixe na prisão de Coimbra

Homem detido em Viseu por suspeita de abuso sexual de criança

Um homem de 46 anos foi detido pela Polícia Judiciária, na zona de Viseu, por …