O processo de organização da «Jornada Mundial da Juventude» – JMJ – prevista para de 1 a 6 de Agosto deste ano, na zona do Rio Trancão, a montante da Ponte Vasco da Gama – Lisboa – está a gerar forte polémica sobretudo em torno dos gastos faraónicos verdadeiramente pecaminosos por causa do evento. E não é «só» o gigantesco Palco-Altar – neste momento (30 de Janeiro) com um custo anunciado de mais de 5 milhões de euros! – de onde o Papa Francisco rezará a Missa do encerramento. Note-se que também vai haver um outro palco gigante a instalar no Parque Eduardo VII, dentro de Lisboa…
São os custos totais do chamado «Parque Tejo» – embora preveja posteriores utilizações – em acelerada construção (depois de inicialmente retardada…) a atingirem, dizem-nos, uns 160 milhões de euros dos quais metade a suportar pelo Orçamento do Estado (via Governo) e pelos orçamentos das Câmaras de Lisboa e de Loures. E faltará ainda somar mais 100 milhões de euros com os custos provocados pela deslocalização do atual «Terminal de Contentores» – serve o Porto de Lisboa – que terá dois terços da área atual já comprometidos para o «Parque Tejo» desta JMJ…
Não pomos em causa a importância de um evento – como é a JMJ – de alcance mundial se realizar em Portugal, mas também assinalamos que fornece bastante propaganda à Igreja Católica, uma Instituição nada ingénua…
Assim, pelo que agora se sabe, muitíssimo dinheiro público vai custar o evento! De assinalar o completo contraste deste despesismo nacional com os custos muito mais razoáveis, mesmo «singelos» comparativamente (50 milhões de euros), da realização (2011) de uma JMJ congénere em Madrid que, aliás, não se baseou em gastos públicos…
Atenção, entretanto, que para além dos custos faraónicos, há outros aspetos de princípio e mesmo da Democracia a serem ofendidos na forma como se está a processar a organização deste evento.
«Não façais da casa de meu Pai (o Templo) uma casa de comércio!»
Alguns dos «inteligentes» de serviço enquanto membros da eclética «unidade de missão» coordenadora da instalação do «Parque Tejo» onde se vai realizar a JMJ, já vieram «justificar» aventando um «balancete» antecipado com os gastos e as receitas, salientando, claro, aquilo que, segundo eles, o evento vai render e dar a lucrar…. Ao ouvi-los, logo me saltou à ideia o episódio Bíblico de «Os Vendilhões do Templo» em que Jesus corre à chicotada e ao pontapé os muitos «negociantes» que enxameavam com os seus «negócios» muito profanos, o Templo (sagrado) em Jerusalém, tendo Jesus, na ocasião, exclamado em plena e santa fúria : «Não façais da casa de meu Pai (o Templo) uma casa de comércio!»… Enfim, caso Jesus voltasse ao mundo agora e viesse a Lisboa, já estamos mesmo a ver quem iria Ele chicotear e pontapear… Ai, ai Moedas e outros do tipo que lá teriam de arrumar a trouxa e dar corda aos chinelos…
«Tenho como verdade que Francisco não decide pessoalmente nesta matéria».
Temos por Jorge Bergoglio, enquanto homem, e Francisco enquanto Papa, uma grande consideração nomeadamente naquilo que diz respeito às abordagens humanizadoras da Doutrina Social da Igreja (Católica) que tem preconizado e escrito, aliás como está na sua «Evangelii Gaudium». E também devido à sua coragem. Estou até convencido que se dependesse de decisão do Papa Francisco não se iria gastar tanto dinheiro com a JMJ.
Mas também não posso concordar com uma «explicação» do Vaticano que terá agora afirmado não ter nada a ver com a organização do evento, logo com o nível anunciado dos gastos previstos?! Apetece exclamar: «valha-nos Deus que ´eles´, agora, estão a (tentar) ´lavar as mãos como Pilatos´» neste caso das responsabilidades com este problema do despesismo com a JMJ…
Aqui pergunto eu ao Vaticano, saltando por cima do «nosso» Patriarcado do qual também aceitaríamos uma resposta : afinal, quanto Pão e quanto Leite – para dar a comer e a beber aos famintos e a outros excluídos – se compraria «só» com metade do dinheiro que prevêem gastar com a realização desta JMJ?!…
Sim, para todos os efeitos são gastos pecaminosos! Eu cá rejeito um tal pecado!
Autor: Carlos Martelo
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