O Natal é a 25 de Dezembro e no dia se comemora valores da maior importância na nossa civilização.
Mas no dia 25 de Dezembro de 1977 faleceu, aos 88 anos, um dos mais icónicos “filhos do Homem” – Charles Spencer “Charlie” Chaplin – que também viveu na pele do adorável vagabundo (“the Tramp”) com sapatos exageradamente grandes, bigodinho reguila e bengala irrequieta, o “Charlot” (Carlitos, entre nós).
Charlot e esteja ou não proclamado oficialmente, para mim é Património da Humanidade! E é, seguramente, uma das maiores criações artísticas e intrinsecamente humanas! E isto sem esquecer que a obra global de Chaplin é mais abrangente e por vezes até contraditória com o personagem do extraordinário “boneco Charlot” que construiu e a quem deu agitada vida nos écrans de cinema. Depois, Chaplin fazia de tudo nos seus filmes. Actuava, tudo programava e tudo dirigia apesar de também ter actores e outros colaboradores muito competentes.
Não vou falar muito sobre a filmografia chapliniana que ela fala por si. Em síntese, direi que “mais vale vê-la do que falar sobre ela”. Desde logo, os irrepetíveis “bonecos” super agitados e bastas vezes muito elaborados também – por exemplo em “Charlot Boémio” – do seu cinema mudo aos personagens “cómicos” como em “Luzes da Cidade” ou como o incorrigível romântico de “Luzes da Ribalta” e já antes em “A Quimera do Ouro”. Também gosto bastante do seu último filme “A Condessa de Hong Kong” onde juntou a actuar nem mais nem menos que “mestre” Marlon Brando e a italiana exuberante Sophia Loren. Ai, “Dio mio!” (Ai meu Deus!…). É também muito elaborado, ao “frame” de película, o ácido (“humor negro”) “Monsieur Verdoux”, também conhecido por o “Barba-Azul”.
“O Grande Ditador”, a denúncia do Nazismo! A demanda pela Paz e pela Felicidade!
Mas quero, entretanto, destacar o inolvidável “Tempos Modernos” (1936) um autêntico e genial “panfleto fílmico” denunciador da exploração capitalista sobre operários fabris. Aliás, este filme foi invocado contra Chaplin no processo fascizante levado a cabo, sobretudo entre 1950 e 1957, pelo governo dos EUA, a CIA mais FBI, na sua “caça às bruxas” contra intelectuais e activistas defensores dos direitos dos trabalhadores e em geral acusados de serem “comunistas” e por isso criminalizados. Em consequência, Chaplin abandonou mesmo os EUA e só muitos anos depois lá regressou e circunstancialmente.
E nestes tempos conturbados de hoje, quero também destacar o monumental “O Grande Ditador” (1940) em que Chaplin, já no decurso da II Grande Guerra, denuncia o nazismo e ridiculariza Hitler, Mussolini e correligionários, de forma mais do que genial, com algumas das cenas “críticas através do humor”, mais conseguidas de toda a história do cinema, como aquela do “ditador de arremedo” a brincar, dentro de um salão, com um grande balão feito o globo terrestre. Quero invocar, e coloco-me “em sentido”, o empolgante e optimista capítulo do “discurso final” de “O Grande Ditador”, uma comovente cena de 4 minutos, com Chaplin sozinho no écran a discursar, convicto e solene, um notável libelo a favor da Paz e da Felicidade nesta Terra. Vale a pena ir (re)ver e (re)ouvir sobretudo até quando nos sentimos mais pessimistas.
Quando vejo muitos dos filmes de Charlot/Chaplin, mais do que dar-me vontade de rir apetece-me chorar docemente… Ou, enfim, lá consigo sorrir por dentro… É o génio de Chaplin a mexer comigo, com inteligência, a provocar as minhas emoções e outros sentimentos.
Viva Charlie Chaplin! Viva Charlot!
Autor: João Dinis, Jano
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