Penacova une-se à Universidade de Évora na procura de medidas para salvar a lampreia

O Município de Penacova e a Confraria da Lampreia de Penacova, em colaboração com o Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), da Universidade de Évora, organizam, no sábado, às 10h30, no Auditório Municipal de Penacova, um colóquio que pretende chamar a atenção para o declínio da lampreia-marinha no território português e avançar com propostas de salvaguarda desta espécie. Os especialistas acreditam que poderemos estar perante um cenário difícil de reverter para esta espécie com elevada importância socioeconómica no nosso país.

Em Portugal, têm vindo a ser aplicadas medidas inovadoras de gestão da pesca e de restauro de habitat com vista à recuperação da população de lampreia-marinha. No entanto, considerando a gravidade da situação actual, poderão ser necessárias medidas mais robustas para permitir a recuperação do efectivo populacional de lampreia-marinha em Portugal.

“Chegou o momento de ouvir a voz da comunidade científica e pedir às autoridades medidas que protejam a espécie. A lampreia teve, ao longo de décadas, um peso socioeconómico relevante em Penacova. Não podemos continuar a assistir passivamente ao seu declínio”, afirma o presidente da Câmara de Penacova, Álvaro Coimbra.

Para o director do MARE, Pedro Raposo, que nos últimos anos tem estudado os habitats nos rios portugueses, “é necessário investir na investigação, sobretudo na fase do ciclo de vida que é ainda bastante desconhecida, a fase oceânica, e que certamente encerra algumas das ameaças que têm contribuído para o declínio desta espécie. “Com esse intuito, a Universidade de Évora e o MARE estão a coordenar um projeto Europeu INTERREG Espaço Atlântico, o projecto DiadSea, que irá cartografar a distribuição das lampreias-marinhas no mar e identificar áreas importantes para esta espécie”, referiu

Para este professor catedrático, só através da gestão transnacional das populações de uma espécie, como a lampreia-marinha, que partilha um conjunto de rios europeus para se reproduzir, será possível criar condições para recuperar o seu efectivo populacional e, dessa forma, manter a exploração comercial de uma espécie tão apreciada à mesa portuguesa.

 

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