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A evidência da realidade nem sempre é a realidade da evidência… Autor: Carlos Antunes

A análise estatísticas de séries temporais não é uma coisa fácil. Não basta olhar para os números sem avaliar a sua evolução. É preciso conhecer a natureza dos dados e sua a dinâmica. É preciso dominar várias ferramentas de análise. E há várias formas de mostrar a evidência da respectiva dinâmica.

Vejo que ainda se discute por aqui a questão das escolas. Se o fecho das escolas contribui para a redução da incidência, e se as escolas abertas são ou não fontes de contágio. Claro que esta questão, como alguns especialistas na matéria referem, depende muito do nível de incidência geral no país. Mas numa coisa eles são unânimes, com um elevado nível de incidência, o contágio entre os jovens a partir dos 13 anos é muito semelhante aos adultos.

A evolução da incidência normalizada dos grupos etários estratificados por tipo de actividade mostra uma diferenciação na dinâmica de contágio do SARS-Cov-2 dentro de cada grupo. Entre 2 e 21 de Janeiro (antes do início das aulas e início de fecho das escolas), os grupos de 0-5 anos, 6-12 anos e 13-17 anos são dos que apresentavam maior crescimento da incidência 8 dias após o início das aulas.

Em particular, o grupo etário dos 6 – 12 anos (1º e 2º ciclos) apresentava a 21 de Janeiro uma taxa de aumento diário da incidência de 6.1%. Com esta taxa, e caso se mantivesse, este grupo duplicaria o nº de casos a cada 11 dias. E à data de 27 Janeiro este grupo era o único que ainda apresentava uma taxa de aumento acima de 4%/dia.

É claro que eu não vos quero chatear com a análise da 2ª derivada desta série, a aceleração da incidência. Pois, apesar de ser algo complicado, ela revela ainda muito mais informação, importante para se compreender esta dinâmica.

Autor: Carlos Antunes

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