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“Este é o principal cartaz de promoção da Freguesia de Meruge e do Concelho de Oliveira do Hospital”

Meruge realiza nos próximos dias 11 e 12 a 20ª edição da Feira do Porco e do Enchido e promete atrair centenas de vendedores e milhares de visitantes

Meruge, no concelho de Oliveira do Hospital, acolhe este ano a 20ª edição da Feira do Porco e do Enchido, um evento que decorre nos dias 11 e 12 de Novembro. Lançada no início do século, a iniciativa ganhou dimensão e atrai anualmente milhares de visitantes e centenas de vendedores. “Esta Feira afirmou-se nestes 19 anos de sucessos, como o mais vernáculo e atractivo cartaz lúdico/gastronómico do concelho e da Beira-Serra, atraindo anualmente centenas de vendedores e milhares de visitantes… é um evento genuíno, único, cioso da sua componente etnográfica e de preservação e divulgação da cultura popular”, conta, em entrevista ao CBS, o presidente da Junta de Freguesia de Meruge, João Abreu.

CBSQuais as características principais da 20ª edição da Feira do Porco e do Enchido que se realiza este ano?

Como sempre, um evento com permanente e multifacetada animação de rua, onde sobressai a valorização dos produtos do Mundo Rural e a aposta na música e na cultura populares. O milenar cenário granítico da Laje Grande, onde os visitantes disporão das irresistíveis especialidades gastronómicas que dão nome à Feira: as Chouriças de Carne e de Bofes, as Morcelas e Farinheiras, os Paios e Presuntos Curados, mas também o inimitável Arroz de Suã, os Torresmos na Caçoila, o Porco no Espeto com Arroz de Feijão e mais não sei quantas iguarias manufacturadas, trazidas pelos inúmeros vendedores locais.

João Abreu – Como avalia o impacto desta iniciativa na Freguesia de Meruge e mesmo no concelho?

A Feira do Porco e do Enchido nasceu para evidenciar o papel dos “porqueiros” no desenvolvimento económico da Freguesia de Meruge e enaltecer a excelência dos enchidos amanhados por mãos artífices de mulheres, mas afirmou-se nestes 19 anos de sucessos, como o mais vernáculo e atractivo cartaz lúdico/gastronómico do concelho e da Beira-Serra, atraindo anualmente centenas de vendedores e milhares de visitantes. A Feira do Porco e do Enchido é, por conseguinte, o principal cartaz de promoção da Freguesia de Meruge e do Concelho de Oliveira do Hospital, porque é um evento genuíno, único, cioso da sua componente etnográfica e de preservação e divulgação da cultura popular.

Quantas pessoas espera que visitem o evento?

Se tivermos em conta os visitantes de anos anteriores, poderemos esperar milhares de visitantes de toda a região e do país, nos próximos dias 11 e 12 de Novembro.

Num interior cada vez mais desertificado, estes tipos de iniciativas podem ajudar a dinamizar a economia?

É evidente que sim. Desde logo pela possibilidade que qualquer cidadão tem de se inscrever e poder fazer a venda directa dos seus produtos na Feira, sejam eles provenientes da agricultura familiar (nozes, castanhas, maçãs, figos secos, jeropiga), ou da sua produção de enchidos, compotas, bolos, licores ou quaisquer outros. Este tipo de eventos, deviam ser apoiados nessa componente, ajudando a promover o que de melhor temos e produzimos.

Não tem tido apoio necessário das entidades oficiais?

Os apoios são sempre escassos e insuficientes. Se tivéssemos apoios garantidos mais substanciais, poderíamos projectar ainda mais a Feira do Porco e do Enchido e eleva-la a patamares de excelência ainda maiores, guindando-a a acontecimento referência nacional.

 

 “[O desafio] era transformar o aparente anátema de ‘terra dos porqueiros’, numa mais valia turística, económica e promocional da Freguesia…”

 Qual a justificação e o enquadramento histórico para a realização deste evento?

Num período em que a venda de carne de porco nas “feiras de levante”, tinha entrado num declínio irreversível, ditado pela expansão das grandes superfícies comerciais e pelas desmedidas restrições sanitárias impostas pela União Europeia, tornava-se imperativo salvaguardar a história e os saberes das gerações que ganharam para a Freguesia de Meruge o epiteto de “Terra dos Porqueiros”. Nos anos de 2001/2002, funcionou na Freguesia de Meruge, uma “Escola Oficina de Fumeiro e Cozinha Tradicional”, tendo como primordial objectivo, resgatar para o património imaterial da localidade, a arte centenar de produzir enchidos e os pratos da gastronomia associados ao porco. Como transformar o aparente anátema de “terra dos porqueiros”, numa mais valia turística, económica e promocional da Freguesia, mantendo viva a tradição do porco e dos enchidos, foi o desafio que quisemos vencer quando lançamos a Feira do Porco e do Enchido, em 2003.

Ainda existe actividade relacionada com a suinicultura na Freguesia? Se sim, qual o impacto na economia local?

A suinicultura nunca foi uma actividade com expressão na freguesia de Meruge, mas sim as actividades que lhe estavam associadas. A Venda da Carne nas Feiras, a produção de enchidos, o “negócio do gado vivo”. Dos mais de 50 “porqueiros” que existiram na Freguesia de Meruge, hoje restam apenas quatro. Como se compreende, o impacto económico para a Freguesia, não tem comparação com o que teve até meados dos anos 90, do século passado.

Meruge tem acolhido várias iniciativas, uma das quais o festival indiano Navrati. Como decorreu e em que medida pode contribuir para a integração das comunidades imigrantes?

Nós não andamos à procura de eventos para integrar os imigrantes. Trabalhamos diariamente para que a população da nossa Freguesia, forasteiros e residentes permanentes, tenham as melhores condições possíveis de vida na nossa terra. O Festival Indiano Navrati, foi um momento muito bonito de expressão da cultura hindu e traduziu a confiança que a comunidade indiana tem na Junta de Freguesia, sobretudo a partir do momento em que lhes proporcionámos aulas de português. A população participou em massa nesta festividade e gostou muito. Também ficou a conhecer a gastronomia indiana e os rituais e danças associados à cerimónia de culto da deusa Durga. Não é a cor da pele, nem a religião, nem os usos e costumes que dividem os seres humanos, mas a exploração a que estão sujeitos nesta sociedade de classes.

 

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