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António Lopes

Eu gostava de entender…! Autor: António Lopes

Ou talvez não. Se vamos lutar por Olivença, corremos o risco de ficar sem nada. Se as pessoas estudassem história, saberiam o quanto se lutou para evitar a Chamada Guerra das Laranjas, declarada pela Espanha e França, em 28 de Fevereiro de 1801, e concretizada a 20 de Maio do mesmo ano.

Durante quatro anos, a diplomacia Portuguesa, com grande esforço, saber e tenacidade, tentou evitar a invasão.

O Príncipe Regente, D. João, e a esposa, Dª Carlota Joaquina, apesar dos fortes laços familiares tiveram um encontro de cortesia e reforço de amizade com a Corte Espanhola, agendado para 18 e 19 de Janeiro de 1796. Por doença da Princesa, a reunião teve lugar dias depois e reforçou, bastante, o clima de confiança e amizade.

Portugal atribuiu a ordem de Cristo a Manuel Godoy – “O Príncipe da Paz” – como forma de ganhar as boas graças do homem forte de Espanha, que fazia parte da comitiva e era quem, de facto, mandava… Tudo, no melhor dos mundos…

O problema é que, a França e a Inglaterra, andavam de “candeias às avessas”. Em 18 de Agosto de 1796, a França e a Espanha fizeram o Tratado de Santo Ildefonso. Aparentemente, nada contra Portugal, dizia o embaixador em Madrid.

Só que, durante quatro anos, a França ameaçou a Espanha e, forçava esta, a pressionar Portugal, para fechar os portos marítimos à Inglaterra. Portugal, em nome da “velha aliança” e servindo-se das boas relações com Espanha, ia protelando.

Papel de relevo de grande argúcia e capacidade foi tendo o embaixador Luís Pereira de Sousa, que em sintonia com os negócios estrangeiros e o Príncipe Real, lá foi protelando o que todos sabiam ser inevitável.

Por esta altura, apareceu um boato que Portugal ia invadir a Galiza. Para agravar tudo, a Espanha declara guerra à Inglaterra, em 7 de Outubro de 1796. Entretanto, Portugal já tinha declarado a sua neutralidade, em Agosto. Godoy foi avisando que era impossível evitar a Guerra Ibérica, se Portugal não fechasse os portos. Portugal, ia “enrolando”..! A Espanha reforça a pressão contra Portugal para que feche os portos, pois, passaram a ser uma ameaça, também para ela. Portugal pede ajuda à Inglaterra que promete 6 000 homens e a manutenção e armamento deles. Portugal, qual Zelensky, pede 20 000.

Ao mesmo tempo que Portugal ia fazendo tentativas de paz, ia ajudando a Inglaterra, com a nossa marinha. As esquadras de Espanha e da Inglaterra, apoiada por Portugal, defrontaram-se no Cabo de S. Vicente, na costa Portuguesa. Dos 36 navios que a Espanha empenhou no combate, sobrou um, em mau estado, que regressou com 500 mortos a bordo. Como se não bastasse uma fragata Portuguesa aprisionou um navio corsário Francês, com 700 homens a bordo.

Em 1779, Napoleão toma conta do Poder, em França, e acabou com os protelamentos. Ou Portugal fechava os Portos ou guerra. E mandou um ultimato e um exército para Espanha, para que a ordem se cumprisse.

Godoy que se tinha demitido, voltou ao Governo, agora generalíssimo do exército, coloca 120 000 homens e equipamento militar junto da Fronteira.

O exército português, comandado pelo Duque de Lafões, mais não conseguiu que 40 000 homens, mal treinados e pior equipados, pese alguns reforços que tinham sido feitos nas Praças Fortes fronteiriças.

A guerra, como se disse, foi declarada a 28 de Fevereiro de 1801 e acabou por acontecer a 20 de Maio do mesmo ano. Olivença não ofereceu qualquer resistência. Uma boa parte das Praças Forte, também não. Os que ofereceram, foram derrotados. Parte do Povo recebeu os Espanhóis em festa…! Perante a desproporção de forças, que poderiam ser reforçadas pelos franceses, a Norte, não restou outra solução que a rendição.

Sua Alteza Real, o então Príncipe Regente, D João, que veio a ser o Rei D.João VI, assinou dois tratados. Badajoz em 6 de Junho de 1801, com a Espanha e em 29 de Setembro outro, em Madrid, com a França, cedendo Olivença. Convém lembrar que, os Estados Unidos da época, eram a França e Napoleão. Foram eles que disseram como era…! Foi o irmão, Luciano Bonaparte, que fez as negociações. Portugal pagou 27 milhões de libras à França, a troco da paz. Manuel Godoy o comandante do exército Espanhol, também lá estava e queria todas as terras conquistadas e dez milhões de indemnização pelos prejuízos de guerra. Por fim, Carlos IV, o rei Espanhol, aceitou ficar com Olivença, abdicando dos dez milhões de libras, que o Príncipe Regente tinha oferecido, para a libertarem. Carlos IV preferiu a fronteira no Guadiana. Mais, D. João ofereceu, aos Franceses a Ilha do Príncipe para conseguir a paz. O Luciano Bonaparte, preferiu o dinheiro e pediu mais dois milhões, fixando a indemnização em 27 milhões de libras. Olivença foi negociada e muito negociada. Por isso está como está, pesem o Tratado de Fontainebleau, que no dizer de Portugal anulou o tratado de Badajoz e Madrid. Pese o decidido no Congresso de Viena em 9 de Junho de 2015, que reconheceu a soberania de Portugal. Pese a assinatura do tratado, pela Espanha, em 7 de Maio de 1817. Pese o Príncipe Regente declarar os tratados de Badajoz e Madrid, nulos, em 1 de Maio de 1808. E pesem os acordos fronteiriços, posteriores a tudo isto, no século passado. Não obstante, a questão dos portos continuou, a família Real teve que se deslocar para o Brasil, onde permaneceu 14 anos, e levou à perda do Brasil. Tivemos, pelos mesmos motivos, três invasões francesas, 1808 – 1810, com a Espanha então já governada, por José Bonaparte, estando Carlos IV destronado até 1814.

Olivença é nossa? Se não for pela boa vontade de Espanha, vem como? A desproporção de forças melhorou para o nosso lado?  E os que lá vivem estão interessados em voltar a ser Portugueses? Se calhar, não. A minha proposta, apenas para “lavar a cara”, é promover um referendo, cujo resultado já se conhece, e resolver o assunto de vez. Dizer-se que o Nuno Melo esteve mal? Acho que não. De resto, os marcos de fronteira, do número 802 ao número 899, continuam por colocar. Acresce que, Pinheiro de Azevedo, presidente do “Grupo dos Amigos de Olivença”, defendia que se pegasse em armas para resgatar Olivença. No dia 12 de Novembro de 2007 o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal do Governo Sócrates, pela pena do seu Chefe de Gabinete, Francisco Ribeiro de Menezes escreveu: “O Senhor Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros [Luís Amado] reafirmando a posição constitucional portuguesa, não reconhece a ocupação de Olivença”.

EU, SÓ QUERIA ENTENDER A POSIÇÃO DOS POLÍTICOS.

Porque perdemos Olivença, e a não recuperamos, não tenho qualquer dúvida. “Quem não pode morrer se deixa” …

 

Autor: António Lopes

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