Pieta – na tradição cristã representa a iconografia da mãe Maria de Jesus de Nazaré a recolher ao colo o corpo do seu Filho depois de morto e descido da Cruz, no monte Gólgota ou Calvário. Há inúmeras representações artísticas desse divino episódio.
Entre nós, “ocidentais”, a mais famosa Pieta encontra-se em Roma, dentro da Basílica de S. Pedro. Foi esculpida pelo mestre renascentista Miguel Ângelo, nascido na Toscana perto da cidade de Florença, (hoje Itália) e que morreu em Roma. Grande artista que, aliás, esculpiu outras Pieta em estilos muito diferentes.
Já tivemos o privilégio de lá ter estado, dentro da Basílica, a observá-la de frente, embora num plano visual “de baixo para cima” que não é o plano original. E temos lido muitas apreciações mais ou menos especializadas sobre este célebre conjunto escultórico.
As sensações que senti correspondem ao que dele se diz. Considero que é um conjunto escultórico genialmente concebido e executado. Seguramente uma das maiores criações artísticas do Homem (Miguel Ângelo foi um génio multifacetado) e da Humanidade!
Nesta Obra maior, o mármore fino e frio ganha formas e traduz uma narrativa mítica que se define ao nível da consciência, da sensibilidade e da mente de cada um que a observa. Sim, emana da Virgem Maria uma serenidade apaziguadora da tragédia que representa, qual “serenus magnificat” (serena oração) com aquela Mãe a segurar no colo o corpo prostrado de seu Filho matado ainda há pouco tempo. Enfim, o mesmo Miguel Ângelo, nas outras Pieta que esculpiu sempre com a maior mestria e também com alguma “zanga”, optou por outra concepção e por outra estética visual.
Pieta da tragédia em Gaza
Passaram séculos até agora. Desde a tragédia no Gólgota até às tragédias actuais em Gaza, também Palestina. Hoje, e mais do que lamentavelmente, continua a haver Mães que recolhem no colo os corpos exauridos, feridos e matados de seus Filhos…
É que velhos e novos “fariseus” e outros “senhores das guerras” continuam a traficar armas, sofrimento e morte, para obter domínio e lucro, em várias regiões deste mundo cruel.
Como tragicamente acontece em Gaza!
Vi há dias na comunicação social, (jornal “Público”, 26 Julho) uma foto tremenda que um artista fotógrafo lá tirou, supostamente em Gaza, a uma jovem Mãe a segurar nos braços, encostado ao seu peito, o corpo ossudo e seminu de uma Criança, provavelmente seu filho. Ora, apesar de tudo, Jesus quando foi matado já era um Homem adulto. – “Mas as crianças, senhor, porque lhes dais tanta dor?! Porque padecem assim ?!”, (extracto do poema “Balada da Neve” de Augusto Gil).
Dessa foto, que a minha consciência e a reportagem correspondente reportam para a tragédia que a guerra semeia em Gaza, ressalta a incrível serenidade que emana da imagem daquela Mãe. Enfim, talvez que aquela Criança, provavelmente seu filho, ainda seja um sobrevivente. Talvez… Que a esperança e a vida vão sobreviver à guerra e ao caos! E queiram ou não queiram os “senhores da guerra”!
Paz sim! Guerra não!
Autor: João Dinis, Jano
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