À Boleia Autor: André Duarte Feiteira

Refugiados: modernices e transformações da concepção humana contemporânea ou pura estupidez? Autor: André Duarte Feiteira

É perceptível que a Internet, o Facebook, o Google e tantas outras formas de obter informação, fazem, nos dias de hoje, que tenhamos acesso a acontecimentos em tempo real. Que possamos seleccionar a informação que pretendemos pesquisar, e que, de um modo geral, tenhamos acesso às mais variadíssimas temáticas podendo até partilha-las emitindo a nossa opinião. Porém, o que é também perceptível, é que o “bitaite” ignorante e bacoco está interligado com o que acabei de expor.

Meus amigos, vamos lá ver se nos entendemos! Apesar de achar que é chover no molhado (já que tem vindo a ser noticiado diariamente), volto a informar: ser refugiado é diferente de residir em Portugal ou decidir ir passar férias ao Nepal apenas e só para desfrutar, partindo, sabendo que a nossa família, amigos e bens físicos por cá permanecem aguardando o nosso regresso. Não! A situação é bem diferente. Estes refugiados, quer por motivos de repressão política ou religiosa, mas, sobretudo, para fugir à guerra, percorrem quilómetros arriscando a vida, abandonam a família (àqueles que ainda lhes resta) sem ter a certeza se a tornarão a rever. E, os que alcançam o seu objectivo, têm-se unicamente a si para recomeçar uma nova vida. Parece fácil…

Liberdade minha gente! Eles só querem liberdade e levar uma vida com dignidade. A vida que cada um tem o direito de escolher. É pedir muito? Não é assim connosco?

Só nos últimos cinco anos morreram mais de 250 mil pessoas na Síria, entre elas, mais de 15 mil eram crianças… Dá para perceber?

Bem, voltando à interligação que fiz no início, parece-me mesmo que quanto maior é a fertilidade no acesso à informação maior é o número de “bitaites” que são ditos apenas porque tem que se dizer alguma coisa, já que é pecado ficar em silêncio. Dou um exemplo; há um ou dois dias atrás a maioria dos órgãos de comunicação social avançou com o seguinte título: “Cerca de 4500 refugiados terão médico de família numa semana e não vão pagar taxas moderadoras em Portugal”. Ao ler isto, e vivendo eu num Estado Social e tendo (creio eu) consciência humana, pensei: Grande atitude! Grande sentido humanista.

Horas depois… Apercebo-me que esta medida gerou contestação e fiquei entorpecido.

Em primeiro lugar, não queiram passar o que estas crianças, adultos e idosos já passaram. Depois, expliquem ao vosso eu, como quereria fazer pagar taxas moderadoras a quem nem dinheiro tem para colocar um pão à boca. Já agora, aproveitem que o vosso “eu” está a pensar e expliquem-lhe também que não se trata de favorecer os refugiados dando-lhes o benefício de ter médico de família, trata-se de saúde pública. Coisas distintas! Por último, informo que não são os 4500 refugiados que vão agravar a situação do país e dos cerca de 10 milhões de habitantes. Sou daqueles que acredita que dez milhões de pessoas podem e devam proporcionar condições de vida, liberdade e dignidade a quem já pouco tem a perder.

Não entendo o porquê do “bitaite”: “Aqueles que vêm lá não sabem de onde já têm direito a um médico e nós não!”. Modernices e transformações da concepção humana contemporânea ou pura estupidez?

Autor: André Duarte Feiteira

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