Home - Opinião - Volta a França – “Le Tour “ – em bicicleta, 2024, a disputar em Esloveno?… Autor: João Dinis

Volta a França – “Le Tour “ – em bicicleta, 2024, a disputar em Esloveno?… Autor: João Dinis

Ontem, 9 de Junho, após o “Critério do Daupfine Libere – 2024” (em França) com 8 dias de competição que mostraram  o esloveno Primoz Roglic em boa forma – embora tenha vencido com apenas 8 segundos de vantagem sobre o 2º classificado.  Aliás, como a sua equipa – a BORA-hansgrohe – também demonstrou estar bem, sobretudo na montanha.  Assim, é muito provável que este esloveno, já maduro, assinale uma presença no “Tour”, de 29 de Junho a 21 de Julho, de forma tendencialmente ganhadora.  Aliás, “Tour” que Roglic já perdeu em 2020 para Pogacar (seu compatriota esloveno) por menos de 1 minuto e na penúltima etapa, num contra-relógio individual.

A primeira e última semanas da próxima Volta a França estão prenhes de grandes dificuldades em duras escaladas enquadradas em etapas mais curtas que habitualmente no “Tour”, o que também faz antever finais e/ou passagens em alta montanha propícias a corredores mais “explosivos” como são Pogacar e Roglic, por exemplo em contraponto como o “nosso” João Oliveira – vai fazer o seu primeiro “Tour” –  que sendo um bom trepador todavia não tem demonstrado ser “explosivo” nas chegadas em alto.

Espera-se entretanto que o outro esloveno campeão e mais novo “canibal” das “bike” de corrida em estrada – Pogacar –  vá exibir-se, também por lá, em grande estilo assim a sorrir enquanto trepa e os “outros” nem sequer tentam segui-lo. Leva consigo uma equipa – a UAE Emirates – mais do que boa, capaz de o ajudar a marcar a diferença em relação a quaisquer outros.

O maior enigma é Vingegaard vencedor das duas últimas edições do “Tour” e corredor notável a escalar e no contra-relógio onde se pode ganhar e vencer a competição mais relevante em ciclismo, Jogos Olímpicos e Mundiais incluídos.

Ainda nem sequer se sabe se Vingegaard vai participar que aquela tremenda queda no País Basco o tem impedido de competir. Aliás, mesmo que participe, o seu nível competitivo vai ser apurado enquanto já compete com “feras” como as já citadas. E, assim, não é a mesma coisa em termos de preparação como se  antes do “Tour” ele já tivesse estado na estrada, em disputa competitiva. Sem Vingegaard a pedalar nas suas melhores condições, fica muito mais facilitada a tarefa rumo à vitória por parte dos seus principais adversários.

Ao mesmo tempo, Renco Evenepoel mostrou-se longe da sua melhor forma também ele afectado por várias quedas e Mathieu Ven der Poel e Vout Ven Aert não apontam ao “Tour” como objectivo prioritário.

Portanto, esta próxima edição encaminha-se para ser disputada digamos que em Esloveno – Pogacar “versus” Roglic.  Com os pratos da balança a penderam para o lado de Pogacar embora este possa vir a ser desagradavelmente surpreendido pelo desgaste provocado com os esforços “irresistíveis” a que se submeteu, “por excesso”, na Volta à Catalunha e na Volta à Itália onde arrasou a concorrência e ganhou “a brincar”.

Ciclismo Profissional é tremendamente exigente em alta competição.

O Ciclismo profissionalizado, e centro-me no ciclismo em estrada embora noutras modalidades também o seja, é hoje um tipo de competição altamente espectacular – aliás, sempre o foi – e tremendamente exigente desde logo a nível dos ciclistas e mesmo dos respectivos “staff” (equipas).

As principais provas de ciclismo são seguidas nas estradas e nas televisões por milhões de fãs rendidos ao espectáculo.  Isso também continua a acontecer comigo.  Sou um fã confesso do Ciclismo e dos seus formidáveis “heróis” onde naturalmente sobressaem os maiores craques em duas rodas, “a motor humano”, por norma atletas fora-de-série.  Vibro com os seus feitos puxados a suor e sofrimento montanhas acima e fico ansioso, como eles também devem ficar, com as suas “loucas” descidas montanhas abaixo.  Devo até dizer que se não sou capaz de subir em bicicleta estradas até ao topo das montanhas, ainda menos seria capaz de as descer àquela velocidade vertiginosa !…

Cabe aqui dizer que as quedas são a pior ameaça que pende sobre o corpo e a mente dos ciclistas e, com demasiada frequência, acontece haver quedas com graves consequências como, e ”só” como (mau) exemplo, aconteceu na Volta ao País Basco deste ano.

Vem agora aí o “Tour de France”.  Mais espectáculo em perspectiva.  Que bom é poder assistir, em directo na televisão, às suas etapas.  Obrigado ciclistas pelo Vosso arrebatador esforço !  Felicidades !

“La Vuelta” pela Região.

A “Volta a Espanha” – “La Vuelta” – vai começar em Lisboa a 17 de Agosto.  Aliás o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e um certo vizinho já se pavonearam todos na primeira apresentação da prova.  “Eles” divertem-se e promovem-se mas com o dinheiro público a pagar…

Mas outros “pavões de pêlo” no caso na nossa Região Centro, esses  não quiseram ficar atrás e contrataram a passagem da “Vuelta” por aqui perto a 18 ou 19 de Agosto.  Passam mesmo pela Ponte das Três Entradas rumo à Covilhã.

Convém pois que nos informem quanto vai isso custar ao erário público, incluindo ao Municipal ?

E sabemos já qual é a “cassete” do costume em torno dos “milhões” de alegado retorno com a promoção à Região que o espectáculo – que de facto o é – vai proporcionar.  Por norma, as imagens e os sons passam depressa pelas estradas numa corrida de ciclismo mas as Pessoas deslocam-se e procuram ver e sentir as emoções.  Há forte animação sem dúvida.

Mas aquilo que mais me dói é esta “rapaziada”, que por aqui decide gastar o nosso dinheiro público a seu bel prazer, se estar a esquecer que (ainda) há a “Volta a Portugal em Bicicleta” embora esta esteja a ser reduzida a uma prova com menos impacto que a Volta ao Algarve.  É um “fenómeno” que exige outra e melhor atenção inclusive da Federação Portuguesa de Ciclismo mas não só.

Pois que os Espanhóis cuidem eles da sua “La Vuelta” !

Entre nós, Viva a Volta a Portugal em Bicicleta !    Viva !

 

 

João Dinis, Jano

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