Dois conhecidos carteiros do centro de distribuição postal dos CTT de Oliveira do Hospital estão hoje a viver uma tarde diferente.
Luís Miguel, conhecido de todos como “Miguel carteiro” e João Freire” estão a participar na sessão de autógrafos do livro “Portugal Connosco – O olhar dos Carteiros”, de que também são autores. Assim é, porque os carteiros acederam ao repto que no verão passado foi lançado pelos CTT que, ao distribuir 5386 máquinas fotográficas descartáveis pelos carteiros portugueses, os desafiou a retratar em fotografia o que, dificilmente mais alguém vê.
“Enchi a máquina de fotografias”, contou há instantes Luís Miguel ao correiodabeiraserra.com que estava longe de imaginar que uma foto sua viesse a fazer parte do grupo das 200 selecionadas para o livro “Portugal Connosco”.
“Miguel Carteiro” apresenta em fotografia o quotidiano de uma habitante de Digueifel, que nasceu sem braços e sem pernas, mas que é a prova viva de que “com força de vontade se conseguem superar todas as barreiras”. “É um caso que me sensibiliza muito”, confessa o carteiro que, praticamente, todos os dias se encontra com Elisa.
Com 45 anos, Luís Miguel leva já 20 anos de profissão. “Gosto muito do que faço, só não gosto da chuva e do vento”, confidenciou, contando que faz os seus trajetos de moto e que se torna mais difícil quando o tempo não ajuda.
Ainda assim, o carteiro fala de uma profissão gratificante pelas relações de proximidade e amizade que, ao longo dos anos, tem vindo a estabelecer com os habitantes por onde tem exercido a sua profissão. Laços que, fruto da desertificação, já não se firmam com tanta regularidade. “As povoações estão desertas”, conta o carteiro que, de ano para ano, assiste a um constante fechar de portas.
Autor de uma fotografia que retrata a ruralidade da região – um agricultor a curar a vinha – João Freire também se confessa surpreendido por a sua fotografia fazer parte das selecionadas.
Ao fim de 19 anos de profissão – os últimos sete no concelho de Oliveira do Hospital – João Freire confessa ter gostado do desafio, que agora o leva a ver o que o rodeia com atenção redobrada.
Ainda que não tenha chegado a encher o rolo da máquina descartável, o carteiro assegura ter tido a preocupação de tirar fotografias que “primassem pela diferença”. Como estamos numa zona rural, procurei fotografar realidades que retratassem o quotidiano do concelho”, referiu, considerando porém que o posto de distribuição de Oliveira do Hospital teve a “sorte” de poder estar presente no livro “não apenas com uma, mas com duas fotografias”.
Aos 40 anos, João Freire confessa-se apaixonado pela sua profissão, mas admite que a principal satisfação advém das relações que estabelece com as pessoas. “Gosto de as poder ajudar, é saudável”, refere.
No dia em que a estação de correios de Oliveira do Hospital abriu as suas portas a uma iniciativa diferente, Joana Couto, adjunta de distribuição na direção Centro Norte dos CTT partilha a satisfação pela dedicação dos carteiros, que tiveram um papel determinante no projeto que a empresa lançou a nível nacional, com o objetivo de retratar em fotografia “aquilo que mais ninguém vê”.
Sentimento também partilhado por António Muge, chefe do Centro de Distribuição Postal de Oliveira do Hospital que vê no projeto uma “mais valia” para os CTT, pela projeção que o livro”Portugal Connosco” confere à área da distribuição. Muge confessa-se ainda “orgulhoso” por Oliveira do Hospital poder fazer parte do livro e enaltece “o empenho dos carteiros oliveirenses neste trabalho”.
“Tivemos a sorte de ter dois colegas selecionados em termos de fotografias”, refere o chefe da estação dos CTT de Oliveira do Hospital que encara o projeto como uma “iniciativa inédita” que permite dar “uma noção do Portugal real” e conferir “muita projeção à marca CTT”.
José Luís Poças fala de “um grande contributo dos colegas carteiros”, que “estão todos os dias, em todo o lado” e que “continuam a ser figuras queridas e de muita confiança para as pessoas”.
Relações que, como disse, tendem a ser cada vez mais reduzidas quer fruto da desertificação, quer da redução do volume de correspondência, muito por força do uso do correio eletrónico.
“Temos que nos virar para estes produtos por causa das quebras em termos postais”
Uma realidade que, segundo José Luís Poças também chega a afetar a estação de correios que, nos últimos tempos, tem sido forçada a uma necessária readaptação, primando pela diversidade dos serviços prestados, não se esgotando na mera troca de correspondência.
Pagamento de serviços, carregamentos e venda de telemóveis, venda de livros, via verde, descodificador TDT, vouchers Vida é Bela são alguns dos serviços disponíveis na estação de correio da cidade aos quais se juntou recentemente a requisição de isenção de pagamento das taxas moderadoras para pessoas com manifestas carências económicas.
“Temos que nos virar para estes produtos por causa das quebras em termos postais”, adianta o chefe da estação, referindo que a ideia é fazer da estação “uma loja multiusos”.
Segundo contou, a própria sessão de autógrafos hoje realizada pode até ser entendida como primeira de muitas outras que ali poderão vir a acontecer, dada a média de pessoas que ali acorre diariamente e que situa entre as três e as quatro centenas.
O centro de distribuição postal de Oliveira do Hospital conta com 12 carteiros que são responsáveis pela distribuição diária de cerca de 7000 cartas.
A estação de correios situada na cidade é única no concelho e conta com quatro funcionários. Paralelamente tem ativa uma rede de postos informatizados (10) e manuais (12) e é responsável pelo serviço payshop (8) que se encontra disponível um pouco por todo o concelho.
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