Normalmente, a glória maior dos jogos de futebol recai sobre os(as) avançados(as) por natureza e finalidade principais, os(as) “homens ( e mulheres) golo”. Sim, que o golo é o “clímax” do jogo da bola profissional ou amador que este seja.
Sobretudo o avançado -centro, o “velho” número 9, exige características pessoais e treino muito específicos. O “velho” número 9 é o alvo prioritário da equipa adversária e por norma “leva” com dois ou três centrais adversários em cima dele…
É verdade que o futebol é jogo que, até desejavelmente, fomenta fugas à regra e mesmo enquanto vantagem táctica e estratégica, e não só os improvisos individuais ou colectivos. Neste âmbito, o maior e melhor exemplo foi aquela fabulosa equipa do Barcelona de há uns anos atrás que jogava sem pontas de lança específicos mas que “batia” em toda a gente e não “apenas” por ter Messi…
E de há vários anos a esta parte que, quanto a mim, a maior evolução táctica de equipa e de competências individuais tem acontecido nos guarda redes em geral e depois em cada um deles. Sempre houve grandes guarda redes e vários deles ficaram para a história como dos futebolistas mais lembrados. Dos que vi jogar algumas vezes, lembro Vítor Damas que reunia algumas características ainda não igualadas como, por exemplo, a sua notável elegância física na baliza. Também era uma “estampa física” de atleta no caso como guarda redes.
E o Gordon Banks “keeper” da Inglaterra naquela que está considerada como sendo a “defesa do século XX” feita a um remate de cabeça de Pelé ( Mundial de 1970) que tinha tudo para dar golo mas que Banks defendeu de forma incrível em que até contrariou mesmo certas leis da física e da dinâmica. Só vendo e há vídeos. Há dias, o guarda redes da Turquia fez uma defesa idêntica no final do jogo contra a Dinamarca neste europeu. Essa sua defesa só não ficará para a história como a de Banks porque do outro lado do lance não esteve Pelé nem sequer jogador parecido…
E o guarda redes da Eslovénia, o nosso estimado Oblac, também se “excedeu” naquela enorme defesa do penalti marcado por Ronaldo. Mas, para nosso bem, logo se esmerou Diogo Costa que fez uma, duas, três defesas seguidas a 3 penaltis dos Eslovenos. Extraordinário!
Lembro que há muitos anos já, Vítor Damas também defendera 3 penaltis seguidos num desempate em jogo europeu do Sporting. Só que a malfadada ironia é que de nada lhe serviu tamanho feito que, afinal, esse desempate já não era por penaltis mas já com a regra dos golos fora valerem por dois e foi isso que a UEFA impôs ao Sporting no dia seguinte ao do jogo….
Mas a grande alteração táctica e individual no domínio dos guarda redes é que de há alguns anos a esta parte eles também jogam e bem com os pés e de repente são os primeiros lançadores de um ataque da sua equipa e logo depois de terem sido os últimos defensores de um ataque dos adversários!
Mas, note-se, nos anos 70 do século passado, o então guarda redes da Holanda já praticava esse método e até veio a dizer mais tarde numa entrevista e citamos: – “especializei-me em jogar com os pés. Com as mãos já jogavam todos…” – todos os outros guarda redes, claro, e já nos anos 70… Mas ele era a excepção que hoje é a regra.
Sim, Viva os Guarda Redes!
Autor: João Dinis, Jano
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