Por acaso, coincidimos ambos, eu e o Pastor em causa de Seixo da Beira, na sessão pública de reunião da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, a 7 de Dezembro e assim tivemos oportunidade de assistir à intervenção que ele fez perante todo o Executivo.
Foi então notória a forma, com indícios de algum desespero, como ele se conduziu assim que lhe foi dada a palavra. Pudera, que tem perdido dezenas de ovelhas e algumas cabras, aliás desde há anos, ao que ele tem afirmado mortas por cães “sem dono” – cães assilvestrados ou asselvajados – e mais recentemente também por cães de caça. Ora, tanto animal do seu rebanho morto assim, isso representa um prejuízo brutal pois o Pastor perde os animais que precisará de repor para manter o rebanho e perde a correspondente produção de leite que de que precisa para produzir o Queijo da Serra ou queijo de ovelha curado.
São dois grandes prejuízos a juntarem-se um ao outro e a ameaçarem a continuidade da sua exploração e do seu trabalho bem como a porem em causa o seu sustento e o da família.
De facto, numa situação tão difícil e que se arrasta, o mais difícil é mesmo continuar a trabalhar e a produzir. E difícil também é manter a calma que um homem ainda não é um robô…
E na sua intervenção, o Pastor foi-se emocionando e empolando o tom de voz a pontos de poder “perder a razão” que lhe assiste e mesmo a colocar-se debaixo de outras (más) repercussões inclusive do ponto de vista legal/repressivo.
Entretanto, quero aqui escrever que me apercebi que as placas, alegadamente para assinalar um “campo de treinos” para os cães de caça, nomeadamente ao javali, nessas placas que o Pastor levou para dentro do Salão da Câmara, não vinha mencionado o número respectivo a remeter para a correspondente licença ou seja, às tantas, o “campo de treinos” dos cães é mesmo ilegal tal como o Pastor afirma que é ! E assim sendo, em primeiro lugar compete ao ICNF, Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, intervir para impedir os treinos dos cães e de imediato. Mas também compete à Câmara Municipal acompanhar a situação, inclusivamente tem a ver com a Protecção Civil Municipal e com os serviços adstritos ao Veterinário Municipal. Noutro plano, a Câmara também deverá continuar a apoiar no concreto a recuperação da exploração agro-pecuária tão afectada como tem sido a deste Pastor, em Seixo da Beira.
Presidente da Câmara manteve a calma perante a intervenção “acalorada” do Pastor.
De facto, e tal como já se assinalou, o Pastor teve momentos em que foi excessivo na forma como se expressou na sessão de Câmara. Mas não chegou a incorrer em afirmações demasiado graves e que o poderiam colocar perante queixa formal do Presidente da Câmara. No contexto, o Presidente da Câmara esteve bem pois, sem perder a “sua” calma e a autoridade ponderada, foi tentando acalmar o Pastor – que ele conhece há já muito tempo – e permitiu até que ele falasse/desabafasse enquanto entendeu fazê-lo.
Agora, é necessário passar ao concreto, o que também significa apoiar este Pastor que, afinal, quer continuar a trabalhar e a produzir, em paz, em conjunto com o seu agregado familiar e sem estar sujeito aos ataques de cães que tanto o têm prejudicado.
Autor: João Dinis, Jano
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