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António Campos admite recorrer aos tribunais para travar eleições do PS Coimbra

António Campos, natural de Oliveira do Hospital e fundador do Partido Socialista e uma das figuras históricas do soarismo, admite avançar com uma providência cautelar para suspender as eleições da Federação Distrital de Coimbra, marcadas para 30 de Junho. Em causa estão alegadas irregularidades no processo eleitoral que, na sua leitura, configuram “violações grosseiras dos estatutos” do partido.

O histórico socialista contesta, em particular, a aplicação das regras relativas ao pagamento de quotas. Os estatutos do PS determinam que os militantes que deixem de pagar quotas durante dois anos ficam suspensos dos seus direitos partidários, recuperando o direito de voto apenas 60 dias após regularizarem a situação.

A disputa pela liderança da federação envolve Américo Baptista, antigo vereador na Câmara da Lousã, Pedro Coimbra, deputado à Assembleia da República e presidente da Comissão Parlamentar de Economia e Coesão Territorial, e Victor Baptista, antigo governador civil e dirigente histórico do partido na região.

Num texto publicado na sua página de Facebook, António Campos traça um retrato severo da evolução recente da estrutura distrital socialista. O fundador da federação afirma que Coimbra foi, durante anos, uma das maiores federações do país, marcada por um forte pluralismo interno, mas considera que, nos últimos oito anos, se verificou uma degradação política e ética que conduziu ao abandono das secções concelhias.

“A federação passou a ser um instrumento de assalto que utilizou toda a promiscuidade política para se instalar no poder, violando todos os princípios, valores e ética”, escreveu.

O dirigente refere ainda uma reunião realizada a 28 de Maio, no auditório do IPDJ, com a presença do membro do Secretariado Nacional Ricardo Bexiga. António Campos diz ter percorrido 160 quilómetros para participar no encontro, mas descreve a reduzida afluência de militantes como uma demonstração do estado a que chegou a organização distrital.

As críticas estendem-se à resposta do secretário-geral do PS. António Campos afirma ter denunciado a situação a José Luís Carneiro, mas acusa-o de se ter refugiado na ideia de que se trata de um assunto interno do partido. “Não é um assunto interno, é um precedente gravíssimo que até envolve um membro da direcção do Secretariado Nacional useiro e vezeiro na promiscuidade política”, escreveu.

José Luís Carneiro tem remetido o caso para os órgãos competentes do partido, sustentando que as eleições para a Federação de Coimbra constituem uma matéria de foro interno e que a questão deve ser apreciada pelo Conselho de Jurisdição.

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